Rotação, o início da pesquisa
Jota Oliveira
De Londrina
O agrônomo Paulo Roberto Galerani, chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), sediado em Londrina, ao fazer uma análise do avanço da pesquisa agronômica nos últimos 30 anos, mostra que o desenvolvimento dessa área ocorre há pouco tempo.
A pesquisa científica aplicada à agricultura começou em 1850-1860, na Inglaterra, interessada apenas na rotação de culturas. A evolução chegou ao ponto de agora, neste final de século, permitir a manipulação dos seres vivos, pela clonagem, ou a introdução de caracteres de um ser em outro na transgênese.
NitrogênioAs primeiras pesquisas foram na área de rotação de culturas. Imaginava-se que uma lavoura tinha influência sobre a cultura seguinte. No começo não havia uma tecnologia para insumos porque, observa Paulo Galerani, até então a agricultura era uma atividade extrativista.
Abundante, o nitrogênio químico levou os pesquisadores a pensarem que a rotação de culturas era dispensável. Os tratos culturais limitavam-se à fixação de nitrogênio nas plantas. Pesquisas posteriores mostraram que a agricultura necessitava de outros elementos.
DiversificaçãoNos anos 60 a pesquisa no Brasil a pesquisa voltou-se para o rendimento do café. Buscou-se também culturas alternativas como trigo, para atender a meta governamental de auto-suficiência. Foram contempladas também milho, amendoim e arroz.
A escalada na soja começou neste século, para a sequência do trigo. A triticultura brasileira nasceu no Sul, porque o trigo era caracteristicamente uma lavoura de inverno. Colhido o trigo, plantar o quê? No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de trigo, a soja expandiu-se como sucessora na primavera-verão. Essa dobradinha atraiu indústrias do setor.
Produtividade O primeiro reflexo da pesquisa agronômica foi na produtividade. Hoje a busca por maior produtividade caminha junto com outras linhas, porque a produção agrícola, observa Galerani, não depende apenas de um enfoque, mas de uma visão geral do sistema de produção.
MelhoramentoTambém nos anos 60, começou o programa de melhoramento da soja. Romeu Kiihl, do CNPSo, é lembrado por Paulo Galerani como o pai da soja no Brasil, por ter, com suas pesquisas, desenvolvido variedades de alta adaptabilidade.
ParceriasA área nacional de soja aumentou até 87-90. Os governos dos Estados desativaram as estatais de pesquisa e com a ausência do Estado os próprios agricultores começaram a se organizar, para manter as pesquisas e garantir o suporte científico. A Embrapa, diz Galerani, tem como meta os parceiros, em busca de financiamentos a suas pesquisas. A tecnologia da soja desenvolvida pela pesquisa coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial.
ManejoEm 1976 foi iniciado o manejo de pragas da soja. Produtores passaram a entender que era necessário aplicar venenos somente para o controle de pragas ou doenças e não preventivamente, reduzindo custos de produção e trazendo benefícios ambientais.
A preocupação resultou no uso do baculovírus no controle da lagarta-da-soja e da vespinha contra o percevejo. No final dos anos 80 fez-se a primeira avaliação de perdas na colheita, usando um pano para recolher lagartas. Outra tecnologia deste século foi o plantio direto. Nasceu no Paraná e hoje é modelo para vários países.





