Rotação mantém sustentabilidade do sistema
O pesquisador do Iapar, José Carlos de Oliveira, ressalta que a rotação de culturas é uma prática importante para a agricultura e a aveia é a melhor alternativa de inverno para substituir o trigo. ''A rotação com aveia possibilita o melhor controle de patógenos que se multiplicam muito quando uma cultura é cultivada, sucessivamente, numa mesma área no período de inverno'', esclarece.
O produtor Carlos Tsuyoshi Kamiguchi, de Mauá da Serra, cultiva cerca de 70 hectares com aveia branca nesta safra. A área é equivalente a 20% de sua propriedade, que totaliza 343,6 hectares. O restante é ocupado por trigo, em 50% da área, e o milho safrinha, que pela primeira vez é plantado pelo produtor, ocupa 30% da propriedade. Kamiguchi cultiva aveia desde o início da década de 1990 com o intuito de promover a rotação de culturas. ''Faço isso para interromper o ciclo de doenças, como o mal do pé, que atinge o trigo se for plantado por muitos anos seguidos'', justifica.
Outra vantagem apontada pelo agricultor é o risco reduzido de perdas no plantio da aveia em comparação ao trigo. ''A aveia é mais rústica e resistente a chuvas e à geada. Se chover no final do ciclo, a qualidade da aveia não se deprecia como a do trigo'', argumenta. Além da segurança e da redução da incidência de doenças, o produtor lembra dos benefícios do cultivo rotacionado com aveia para o escalonamento do plantio e a otimização do uso de maquinários e mão de obra na lavoura. Como o plantio vai de abril a agosto, a aveia é seguida pelo milho no verão. Enquanto o trigo, colhido em setembro e outubro, é seguido pela soja.
Em relação à rentabilidade da cultura, Kamiguchi afirma que a aveia possui custo de produção 20% menor do que o trigo, mas os preços também acompanham a redução. Segundo a Seab, na semana de 9 a 13 de abril, a saca de 60 kg da aveia foi comercializada, em média, a R$ 16,42 no Estado. Mas Kamiguchi recebe até R$ 21 pelo produto. Segundo o Iapar, a produtividade da aveia em Mauá da Serra pode ultrapassar 5 mil kg/ha, mas a média registrada entre os cooperados da Integrada é de 2.500 a 3 mil kg/ha. Kamiguchi planta a variedade IAC 7, que segundo ele, atende a demanda das indústrias do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.(M.F.)





