Rotação de culturas recupera lucro do arroz nas várzeas
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Reportagem Local 
A pesquisa encontrou uma forma de diminuir a incidência de doenças, pragas e ervas daninhas no arroz de várzeas irrigadas. A rotação de culturas reduz as infestações que aparecem no arroz, após muitos anos de cultivo. Um dos benefícios da técnica está na redução dos gastos com o controle de ervas, que representam cerca de 22% do custo com defensivos que, por sua vez, somam 30% do custo total de produção.
O pesquisador Mario T. Fukoshima, melhorista de arroz irrigado do Iapar, vem conduzindo pesquisa pioneira com rotação de culturas nas várzeas da região noroeste do Paraná.
O projeto foi iniciado em outubro/2002 e está sendo financiado pela Fundação Araucária. ''O objetivo é buscar alternativas de diversificação de culturas na cadeia produtiva de arroz irrigado nas várzeas irrigadas do Estado'', afirma.
Existem no Estado do Paraná áreas de cultivo de arroz irrigado que estão sendo cultivadas continuamente com a monocultura de arroz por até 20 a 30 anos. A única rotação é feita com pastagens.
Em função desse sistema de monocultura de arroz irrigado, essas áreas vêm apresentando baixas produtividades, queda na qualidade comercial e custo de produção muito elevado. Isto pode inviabilizar esta atividade nas várzeas, alerta Fukoshima.
Dados oficiais mostram que a produção de arroz irrigado vem diminuindo no Paraná. Na safra 1987/88 a área cultivada que era de 23 mil ha para uma produção de 78 mil toneladas. Já na safra 2000/01, a área caiu para 14,4 mil ha e uma produção de 65,1 mil toneladas (-37,4%).
Para se ter uma idéia da importância da cultura do arroz irrigado na região noroeste, os 48 produtores de Querência do Norte representam 20,5% da produção de arroz irrigado do Estado do Paraná. Com a soma da produção de Santa Cruz do Monte Castelo, Santa Izabel do Ivai e Santa Mônica a participação sobe para 48%.
O projeto visa implantar um sistema de rotação de cultura e colocá-lo à disposição dos agricultores. Segundo o pesquisador, a idéia partiu da constatação de que o desestímulo vinha ameaçando a rizicultura de várzeas irrigadas. As causas desse desestímulo eram a baixa produtividade e alto custo de produção.
Cerca de 30% dos custos de produção são representados pelos defensivos e desse total os herbicidas respondem por 22%.
Decisão de mudar - Antes de conhecer as novas técnicas, os produtores de arroz da região de Querência do Norte definiam sua realidade com a seguinte frase ''Ou se muda o sistema de trabalho no banhado ou muda-se do banhado'' - conforme o produtor Edson Reginato, proprietário da área de várzea onde as pesquisas vêm sendo conduzidas. Embora pessimista, a frase expressa o grau de preocupação e, ao mesmo tempo, de conscientização dos agricultores.
Com essa pesquisa, o engenheiro agrônomo Mário T. Fukoshima, vem tentando encontrar uma forma de diminuir a incidência de doenças, pragas e ervas daninhas nas lavouras de arroz de várzeas irrigadas, quebrando o ciclo que se repete todos os anos nessas áreas de várzea.
Com espécies adaptadas ao cultivo em ''terras altas'' nessas áreas de várzeas, será modificado o ''habitat natural'' das ervas daninhas, principalmente do Arroz Vermelho, Capim Arroz e espécies de Ciperáceas e de pragas como a ''bicheira da raiz'' que encontram as condições propícias para se desenvolver quando é cultivado com a monocultura do arroz irrigado. Além disso, a rotação de culturas trará benefícios quanto a reciclagem dos nutrientes - explica Fukoshima -, uma vez que a cultura do arroz tem capacidade de explorar apenas 20 cm da camada do solo, e muitos nutrientes aplicados para a cultura do arroz são lixiviados para profundidades maiores.


