A colheita mecanizada é hoje uma exigência para quem quer cultivar algodão. Com exceção de algumas pequenas áreas em que se continua praticando a colheita manual, parece que desta vez o uso das máquinas é um processo irreversível. Esta é a avaliação do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Ruy Yamaoka. Ele lembra que, na história do cultivo de algodão no Paraná, houve várias tentativas para se implantar a colheita mecanizada, mas sem sucesso.‘‘Agora parece que a máquina veio para ficar.’’
Para viabilizar a colheita mecanizada, o produtor tem que programar o plantio. A primeira decisão está na escolha do terreno, que deve ser plano. Como tradicionalmente as áreas com algodão no Paraná são terrenos quebrados, o produtor terá que mudar. O pesquisador aponta como saída o plantio nas áreas de soja, como já está sendo feito em Mato Grosso. ‘‘A rotação com soja pode ser uma boa alternativa para quem quer continuar com o algodão’’.
AvançoApenas 10% da área cultivada hoje no Paraná são colhidas com máquina, mas o pesquisador acredita que a mecanização deve crescer nos próximos anos. ‘‘As máquinas foram modernizadas e melhoraram muito em ternos de rendimento e qualidade’’, diz Yamaoka. As perdas, em torno de 7% na região de Umuarana, por exemplo, são toleráveis, mas é possível buscar mais eficiência e ficar com perdas abaixo de 5%.
A primeira colheitadeira chegou ao Brasil em 1952, em Piracicaba (SP) e veio para servir no ensino e pesquisa. Em 1970, foram definidas as bases técnicas para a colheita mecânica no País e no ano seguinte a Cooperativa Agropecuária de Campinas importou 10 unidades. No Paraná a primeira máquina chegou em 73, para um fazenda no município de Andirá.
O pesquisador aposentado do Iapar, José Ricoy Pires, que continua trabalhando como voluntário e é também produtor de algodão, faz parte da história da cotonicultura no Estado. Acompanhou todas os altos e baixos da cultura. Ele lembra que ‘‘quando o preço da mão-de-obra subia um pouco, logo os produtores começavam a falar em colheita mecânica; o preço baixava e todo mundo esquecia’’. Segundo Ricoy, as máquinas antigas ‘‘não eram muito boas’’. ‘‘A qualidade do algodão colhido pela máquina era inferior e as usinas preferiam o produto da colheita manual’’, lembra.
RequisitosO requisito básico para a mecanização da colheita é o planejamento da propriedade. O tamanho do lote, topografia e preparo do solo são fundamentais. ‘‘Não é possível plantar em áreas muito pequenas, no formato de tripas como são a maioria das propriedades com algodão no Estado’’, diz Yamaoka. O uso da máquina em áreas muito estreitas é dificultado e não dá um bom rendimento, explica. A limpeza do terreno, com a retirada de tocos, pedras e torrões também é importante.
O plantio deve ser feito com o mesmo número de linhas que terá a máquina a ser usada. O espaçamento vai depender da maquinaria, e o porte das plantas também deve ser considerado.
Com relação às variedades, o pesquisador diz que não há muitas restrições. José Ricoy comenta que o principal problema é que as variedades até agora disponíveis para colheita mecânica têm problemas de sanidade aqui no Paraná. ‘‘O Iapar está trabalhando no desenvolvimento de uma variedade para o Estado, que deve ser lançada no ano que vem’’, informa Yamaoka.
LimitaçõesO principal fator limitante para adoção da nova tecnologia é o preço da máquina, que custa hoje em torno de R$250 mil, com 5 linhas. A reposição de peças também é outro problema.
No Paraná a estrutura criada nas usinas, para receber algodão, não está adequada para a colheita a granel feita pela máquina. Há dificuldades no armazenamento e também no transporte.
O clima também é um fator restritivo, porque chove no período de colheita, e a máquina só colhe com as maçãs bem secas. Para evitar um pouco este problema, o produtor deve plantar antes.
O cultivo do algodão no Mato Grosso, que não tem esses entraves, adotou a colheita mecânica e está tendo ótimos resultados. Lá, os produtores fazem rotação com a soja. ‘‘Houve uma mudança de mentalidade. Antigamente, produtor de soja não queria sequer ouvir falar de plantio de algodão. Hoje, no Paraná, alguns já estão tentando fazer a rotação’’, informa Ricoy. Segundo ele, no Mato Grosso os produtores começaram no algodão, tirando lição com os paranaenses. ‘‘Eles aprenderam com os erros e dificuldades do Paraná, porque nós representamos uma ‘escola’ quando se fala em cultura do algodão no Brasil. Em termos técnicos já evoluímos tudo. Agora o futuro depende do plantio nas áreas de soja, o que possibilita a colheita mecânica’’, comenta Ricoy.
Como os cotonicultores do Paraná são pequenos produtores, a colheita mecânica poderia ser viabilizada com a locação de máquinas ou a implantação de empresas que prestariam o serviço. ‘‘Ainda é um assunto a ser discutido’’, finaliza Yamaoka.RendimentoAs máquinas modernas têm bom rendimento e conseguem boa qualidade de fibra CoamoCristina Côrtes

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