Um projeto ousado. Assim pode ser definida a iniciativa da produtora Maria de Fátima Kressin, de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio) que cultiva rosas numa região onde predominam culturas tradicionais como soja, milho e trigo.
A produção teve início dois anos atrás numa área de 300 metros quadrados. Hoje, com o sucesso obtido, o campo de rosas chega a quase um hectare e está em processo de ampliação. As roseiras garantem uma renda mensal R$ 3 mil.
A idéia e a experiência no cultivo de rosas foi trazida pelo irmão, Adalberto Kressin, que trabalhou em Holambra (SP), cidade que se destaca pela produção de flores no País. De lá vieram também as primeiras roseiras. Hoje a produtora já domina a técnica de produção de mudas e, com isso, está cuidando da ampliação da lavoura.
A flor, segundo Maria de Fátima, é bastante exigente e necessita de vigilância constante. Mesmo assim, não esconde a satisfação com o trabalho. Ela cultiva seis cores da flor e destaca que os tons mais claros exigem mais cuidados em todas as etapas do ciclo de cultivo. Além de técnicas convencionais, a produtora desenvolveu um ''jeitinho'' próprio de lidar com as rosas. ''Os macetinhos são a alma do negócio'', ilustra.
O acompanhamento da cultura é feito pelo técnico Fernando Alves Nunes, da Corol Cooperativa Agroindustrial. Ele revela que boa parte dos produtos utilizados no manejo das roseiras estão sendo adaptados de outras culturas da região, como a uva. Muitas das pragas que atacam a roseiras também são comuns a essas lavouras, como as lagartas, ácaro e tripes. ''O trípes, por exemplo, é porta de entrada para o botrites, que provoca a podridão do botão'', explica.
A produção dos botões, explica Maria de Fátima, demora 40 dias - do pique (uma espécie de poda) à colheita. A poda é que determina a quantidade de brotos e botões. Por isso é possível planejar o aumento da produção em períodos de maior demanda como o dia das mães e dos namorados. ''Em datas especiais colhemos 200 dúzias/dia'', conta. Atualmente a produção diária de Mária de Fátima é de 70 dúzias de rosas.
A classificação da produção é constante e começa a partir da formação dos botões quando são colocadas redes de proteção. ''Botões tortos e com cabo curto'', informa a produtora, ''já são descartados na roça''. Depois da colheita, as rosas passam por um novo processo de seleção e recebem pelo menos três tipos classificação, de acordo com a qualidade da flor e tamanho da haste.
Pelo cuidado e delicadeza que o trato com as roseiras exige, Maria de Fátima é enfática na escolha da mão-de-obra. ''É serviço para mulher. Homens só servem para a capina, e olhe lá! ''.
''Produzir é duro. Mas o mais difícil é entrar no mercado'', reclama a produtora. O comércio de flores na região, segundo ela, é dominado pelas empresas paulistas. Maria de Fátima denuncia que, por possuirem mais variedades de flores e ramos verdes, essas empresas condicionam as vendas a pacotes fechados de mercadoria. ''São apenas sete pontos de venda entre Londrina e Jataizinho e temos produção para muito mais'', garante.
Além disso, há quem não acredite que as rosas, pela qualidade do produto, sejam produzidas na região. Ela garante que as rosas de campo cultivadas aqui têm qualidade e tamanho superior às que vêm do Estado de São Paulo. ''Muitos nos colocam na posição de atravessadores'', lamenta.

Serviço: Contatos com a produtora de rosas Maria de Fátima Kressin podem ser feitos pelo telefone (43) 9963-8540.

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