O Paraná tem atualmente 266 assentamentos com 15.931 famílias, incluindo os projetos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os do Estado, segundo informações da superintendência paranaense do Incra. ''Entre eles, há os que representam avanços extraordinários como também aqueles que significam recuos igualmente extraordinários'', reconhece Carlos transformando em uma reforma agrária malsucedida.
''O Rondon é o exemplo de como não deve ser um assentamento'', comenta Nilo Patel , chefe do escritório da Empresa de Asssistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Bituruna, para quem a culpa deve ser dividida entre os assentados e o governo. ''No início, parte dos assentados só tinha interesse de retirar o que havia sobre a terra para, em seguida, vender o lote. E os que ficaram não puderam dispor de assistência técnica adequada para uma região muito fria e imprópria para a produção de grãos'', diz. Para o técnico, a maioria das 84 famílias do Assentamento Rondon 3 sequer dispõe de recursos para desenvolver projetos nas propriedades. Cada lote tem em média 66 hectares.
O técnico agropecuário da Secretaria da Agricultura de Bituruna, Antonio Marcos Costa, que chegou a trabalhar com os assentados diz que, no geral, a situação das famílias é crítica, mesmo considerando que há exemplos de agricultores que prosperaram, construíram casas melhores e até possuem carro. ''Mas o quadro é bastante crítico para a maioria deles, talvez por falta de estrutura, de assistência técnica e até mesmo de incentivo. A verdade é que nem todos que chegaram ao assentamento há mais de 13 anos são agricultores. Então, faltou preparar o pessoal para trabalhar na zona rural e principalmente orientá-los sobre as atividades mais adequadas'', comenta.
Costa lembra que o forte da região é a extração de madeira e a exploração da erva mate. ''O feijão e o milho se destinam mais para a subsistência das famílias'', diz. Segundo o técnico, uma das fontes de renda dos assentados é a produção de carvão vegetal, sem contar a venda de madeira para as indústrias de compensados e de esquadrias. Há também quem trabalhe com a erva mate. Mas, para Costa, a situação poderia ser diferente se os assentados tivessem uma assistência técnica e projetos agrícolas adequados para a realidade deles. O problema não é restrito ao Rondon 3, pois atinge outras áreas do município, que atualmente tem sete assentamentos com 450 famílias, sem contar o Acampamento Primeiro de Maio, com cerca de 300 famílias à espera da terra.
Para o técnico, duas atividades recentes o cultivo de fumo e de uva para a produção de vinhos devem contribuir para melhorar a situação dos assentamentos do município. ''Além de representar alternativas de renda para os agricultores integrados, com estas culturas chegam a assistência técnica prestada pelas empresas integradoras, aliás, a única a ser prestada, especialmente no assentamento Rondon'', afirma.

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