Riscos menores para o produtor
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Silvana Leão 
Dorico da SilvaLollato: O agricultor que obedecer ao zoneamento tem, em média, 90% de chances de acertoDe acordo com o zoneamento agroclimático desenvolvido para o Paraná, até meados de novembro é possível plantar a safra de feijão das águas em algumas regiões do Estado, mas o produtor deve estar atento: dependendo de onde estiver situada a propriedade, o prazo já pode ter se esgotado. Neste caso, vale a pena pensar duas vezes antes de arriscar.
O zoneamento agrícola foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com apoio do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, com o objetivo de adequar o plantio das principais culturas. As microrregiões são agrupadas de acordo com as características de solo, clima e altitude. Para chegar aos resultados finais, o Iapar utilizou dados climáticos colhidos diariamente ao longo de 25 anos, além de ensaios de produtividade feitos durante 22 anos nas épocas de semeadura.
Até agora já foram realizados os zoneamentos das culturas do milho, feijão (safras das águas, da seca e de outono-inverno), trigo e algodão. No caso do feijão, os fatores de risco considerados pelos pesquisadores foram a seca no início do ciclo e no florescimento; geada no início e no final do ciclo; altas temperaturas no florescimento e excesso de chuva na colheita. Os resultados começaram a ser divulgados na safra das águas de 96, mas por falta de tempo poucos produtores tiveram acesso às informações.
Mais estabilidadeA importância deste tipo de levantamento está em diminuir os riscos para o produtor. O pesquisador Marco Antonio Lollato, líder do Programa Feijão do Iapar, lembra que plantar na época certa, de acordo com as condições oferecidas pelo lugar, é uma prática que não aumenta os custos para o agricultor. Pode, porém, elevar a produtividade e diminuir a incidência de pragas e doenças, além de garantir a estabilidade da produção, na medida em que reduz os riscos e as perdas.
As variedades modernas são de alta produtividade, mas para que se consiga explorar todo o seu potencial, elas devem ser utilizadas nas épocas recomendadas, frisa Lollato. Segundo ele, o agricultor que obedecer ao zoneamento tem, em média, 90% de chances de acerto na atividade. A sociedade brasileira não tem dinheiro para arcar com altos riscos. Temos que trabalhar é com altos índices de acerto, para não falirmos, completa o pesquisador.
A disciplina no plantio também tem a vantagem de disciplinar a oferta do produto no mercado, estabilizando, com isso, o preço do produto para o consumidor final. Atualmente, o Paraná é o principal produtor de feijão do País, sendo responsável por 25% de toda a produção. Já a safra das águas representa cerca de 80% do feijão produzido no Estado.
Condição para créditoDe acordo com o engenheiro agrônomo Sérgio Luiz Gonçalves, da área de climatologia do Ministério da Agricultura (órgão que apóia o Iapar nos trabalhos de zoneamento agrícola), as informações que estão chegando até os produtores através do levantamento, são uma síntese do conhecimento da cultura no Estado, que está sendo somada às mais modernas técnicas de pesquisa disponíveis no Iapar.
O zoneamento agroclimático faz parte de projeto de redução de riscos na lavoura desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, e já vem sendo utilizado pelo Banco Central para normatizar a concessão de créditos agrícolas. Para conseguir financiamento, o produtor deve, necessariamente, obedecer as épocas recomendadas de plantio.


