Riscos de menor resposta genética
Nos impactos negativos, a consaguinidade diminui a capacidade de resposta genética do animal, provocando uma depressão por consanguinidade (perda fenotípica). Perotto aponta alguns exemplos de declínio de desempenho: em gado de leite, a cada 1% de aumento do coeficiente de consanguinidade, há variação de -11 a -30 kg de leite por lactação, principalmente nas primeiras lactações. No desempenho reprodutivo, ele destaca a esterilidade das células reprodutivas; mortalidade embrionária; redução do tamanho do feto e menor viabilidade do recém-nascido.
Em bovinos de corte, os impactos sobre pesos e ganhos de peso são, em geral, negativas. Em média, a cada 1% de aumento do grau de consanguinidade resulta em diminuição de 0,15 kg no peso ao nascer dos bezerros. À desmama, também apresenta queda nos pesos. O geneticista Vanerlei Roso, da Gencis, afirma que a cada 10 % de aumento na consanguinidade, gera 3% menos em ganho médio diário de peso no pré e pós desmama.
O conselho dos especialistas é controlar os níveis de consanguinidade dos acasalamentos para sugerir combinações que otimizem o melhoramento genético das safras futuras. Uma recomendação de caráter geral é usar, em larga escala, somente animais provados, de produção conhecida e potencial genético comprovadamente superior.
O pesquisador em melhoramento genético da Embrapa Gado de Corte Antônio Rosa, diz que um risco da homozigose (genes iguais) em rebanhos comerciais, é que muitas vezes o criador pode usar muito intensamente um touro ou uma matriz no rebanho, sem conhecer muito bem o seu histórico reprodutivo, a sua progênie. ''Embora alguns animais não desenvolvam características as anomalias genéticas, podem carregar genes que as contém. Com a utilização desses reprodutores e matrizes em larga escala, as perdas do criador se multiplicam através dos filhos destes animais. A seleção, por ser demorada, gera muito descarte, o que pode provocar prejuízos'', comenta.
Entenda a consanguinidade - O pesquisador em melhoramento genético da Embrapa Gado de Corte Antônio Rosa, comenta que ''quanto mais opções de linhagens de touros, maiores as chances de acerto na seleção por causa do vigor híbrido, ao proceder o acasalamento de matrizes comerciais para a produção de gado de corte''. Ele explica que animais concebidos pelo mesmo ancestral apresentam a homozigose, ou seja, alta frequência de genótipos que possuem genes idênticos. Quanto maior o número de pares de alelos, maior a consaguinidade. (C.P.)





