Risco da cultura afasta cooperativas
As cooperativas não têm tradição em trabalhar com o feijão por ser uma cultura de risco - muito perecível e não aguenta estocagem por longo tempo. No entanto, oito cooperativas paranaenses investem no produto, de acordo com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).''Feijão tem um mercado pouco organizado e concentra boas doses de especulação. Mesmo com pontos negativos, as cooperatvas representam 10% do comércio do Estado'', afirma o analista da Ocepar, Cassiano Bragagnolo.
Entre elas, está a Cooperativa Agroindustrial Bom Jesus, no município da Lapa, no sudeste do Estado, fundada em 1952 e desde então, o feijão preto é produto carro-chefe da casa. Cerca de 3 mil agricultores, na maioria familiares, são cooperados. Boa parte dedica-se a cultura, além da soja e milho. O diretor José Rubens Rodrigues do Santos, assume que a retração do ICMS parananense para 1% foi um grande incentivo e o produtor respira melhor.
''Apesar de o Funrural ainda pesar 2,3% de tributação, o preço está bom e a próxima safra, com plantação em outubro e colheita em janeiro, não vai perder fôlego. O preço compensou a redução da lavoura. Mais prá frente já fica incerto porque os fertilizantes dobraram de valor'', diz. A maior reclamação dele é a procura interesseira pela cooperativa por parte de agricultores em tempos de crise.
''Há mecanismos de venda para pequenos produtores com a ajuda de programas governamentais que geram preços mais interessantes, mas apenas as cooperativas são agraciadas''. Quando houve o excesso de produção há dois anos, a Bom Jesus comercializava por R$ 54 a saca, enquanto o mercado girava em torno dos R$ 30. A cooperativa investe em transferência de tecnologia e orientação técnica com foco na produtividade. Atualmente, o cooperado atinge de 3 a 3,6 toneladas/hectare. (C.P.)





