No mês de novembro, o projeto de recuperação e repovoamento dos rios do baixo e médio Iguaçu completa um ano, e as entidades parceiras preparam uma nova soltura de peixes além de ampliar a área de ação do projeto, com a participação também das prefeituras.
O projeto envolve o Ibama, Copel e Sadia e conseguiu até agora repovoar 21 rios que cortam 30 municípios das regiões Sudoeste e Sul do Estado. As espécies criadas foram o jundiá, a saicanga e o cascudo. Agora a estação está testando a produção de traíras.
Quando iniciado o projeto, a expectativa era que em dois anos os peixes soltos já estivessem em condições de reproduzir. ''Para nossa surpresa, depois de um ano do início já colhemos alguns peixes em condições de desova'', afirma Valdemir Dal Prá, responsável pela Estação de Aquicultura do Ibama de Francisco Beltrão.
Resultados
No primeiro ano de desenvolvimento do projeto, aproximadamente 750 mil peixes foram soltos na região, de novembro de 1999 a fevereiro de 2000. Para o segundo ano, a expectativa é que outros 800 mil peixes venham a povoar os rios e córregos. Quase seis mil estudantes participaram das palestras sobre educação ambiental, preservação dos rios e da natureza, além dos próprios alunos terem participado da soltura dos peixes.
''Faz parte da proposta da Sadia despertar a prática da cidadania junto à comunidade onde ela está inserida, por isso este trabalho de repovoamento dos rios e de conscientização das crianças sobre a importância da preservação ambiental'', destaca o gerente do Sítio Fabril da Sadia de Francisco Beltrão, Bruno Muller.
Para o técnico em piscicultura da Copel Geração, Geraldo Arnaldo Stumm, a formação de um senso preservacionista junto às crianças, acabará por atingir também as famílias desta região. ''Por isso vemos com otimismo nossa participação neste programa'', completa.
Ação predatória
Os rios da região do baixo e médio Iguaçu, que vão desde União da Vitória até o Parque Nacional do Iguaçu, já foram povoados por dezenas de espécies de peixe. A pesca não predatória era uma atividade que garantia alimentos e lazer aos pequenos agricultores que vivem nesta região.
Mas a falta de conservação de solos, das matas ciliares e o uso excessivo de agrotóxicos, incluindo aí as embalagens que são descartados no meio ambiente, fez com que os peixes praticamente desaparecessem da maioria dos rios. Espécies como jundiá, traíra, cascudo, saicanga, entre outras, são difíceis de serem encontradas atualmente. ''A ação do homem trouxe sérios prejuízos à vida aquática nesta região'', afirmou Valdemir Dal Prá.
Solução
Foi procurando uma solução para este problema que surgiu a parceria entre o Ibama, a Copel Geração e a unidade industrial da Sadia de Francisco Beltrão.
Iniciado em novembro de 1999, o projeto prevê o repovoamento dos rios com as espécies nativas, além de um trabalho de educação ambiental com crianças de escolas rurais da região.
Pela parceria, a Copel é responsável pela captura das matrizes, principalmente junto às Usinas Hidrelétricas existentes na região. Nos laboratórios da empresa são produzidas as larvas e entregues à Estação de Aquicultura do Ibama.
Na Estação, as larvas são transformadas em alevinos e passam por um processo de adaptação. Somente em idade juvenil, com 90 a 120 dias de vida e 12 a 15 cm, é que os peixes são colocados nos rios. A unidade da Sadia é responsável por praticamente todas as despesas do projeto, que inclui transporte de larvas, adaptações na Estação de Aquicultura, oxigênio, alimentação dos alevinos e dos peixes, bem como o transporte dos mesmos até os rios e as palestras com os estudantes do meio rural. Em determinados momentos o Exército, através do 16º Esquadrão de Cavalaria Motorizada, sediado em Francisco Beltrão, também colabora com o programa.''É uma parceria que vem dando ótimos resultados e que, esperamos, tenha continuidade'', afirma Dal Prá. O Instituto Ambiental do Paraná (Iap) e prefeitura de Francisco Beltrão também colaboram com o projeto.
Dificuldades
Apesar do projeto já apresentar resultados expressivos, a sua execução apresenta algumas dificuldades. A criação de peixes de espécies nativas em cativeiro apresenta problemas. Primeiramente a Estação Aquífera do Ibama teve que passar por algumas modificações, já que a principal função do local é a produção de peixes exóticos, como carpa e tilápia, que são fornecidos aos piscicultores da região Sudoeste do Paraná.
Outro problema é o desenvolvimento dos alevinos até que se transformem em peixes juvenis. ''A soltura de alevinos de espécies nativas nos rios não apresenta resultados satisfatórios. A maioria não sobrevive'', explica Dal Prá.
Conscientização
A Estação Aquífera do Ibama de Francisco Beltrão não tem poder para promover a fiscalização e o combate da pesca predatória. Por isso, a opção escolhida foi a conscientização. ''Estas espécies de peixes são presas fáceis da pesca predatória. Por isso a importância da conscientização das crianças e dos agricultores, que hoje atuam como fiscais da natureza'', comenta Dal Prá.
Segundo ele, antes de transformar os agricultores em fiscais, foi preciso convencê-los a não pescar nos rios antes de que eles estejam completamente repovoados, o que não acontece tão rapidamente.

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