Reviravolta no mercado da soja
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As negociações de soja tiveram uma grande reviravolta nesta semana. Com o início do ''mercado de clima'' nos Estados Unidos, qualquer sinal de chuva - ou estiagem - modifica os preços. Desta vez a variação foi a mais acentuada desde 1999. Tudo porque o relatário do USDA apontou uma quebra média de quase 3 milhões de t na safra norte-americana.
A expectativa para a safra americana era de 80,5 milhões de t. O relatório do USDA mostrou que seriam 77,8 milhões de t. Só com o relatório divulgado o mercado acordou para o fato de que a produção americana sofreria problemas'', observou o analista Flávio França Junior, da Safras & Mercado.
Na segunda-feira, o preço da soja subiu 4%. Na terça, as chuvas que caíram no meio-oeste americano provocaram uma baixa de 2%. Na quarta, houve recuperação de pouco acima de 2%. ''Estamos bem no meio de uma bolha climática nos Estados Unidos que provoca grandes oscilações'', acrescentou França Junior.
O produtor paranaense, deve ficar antenado. Estimativas apontam que cerca de 60% da produção do Estado foi comercializada. ''Minha preocupação não é tanto com preço, mas com a liquidez da safra'', afirmou. Se o produtor continuar segurando a produção, terá problemas de vender o produto a partir de outubro, quando entra a safra norte-americana.
''O produtor teve mais sorte do que juízo, porque há duas semanas a situação era outra. Antes da estiagem, os preços estavam em queda'', acrescentou França.
A safra estava sendo comercializada a US$ 12 a saca, na quarta-feira. Os negócios futuros apontavam para US$ 10,50 a US$ 11,00. ''É preciso cuidado, porque mesmo com o estrago da seca na safra norte-americana, não haverá uma perda tão grande'', disse França.


