Reunião discute produção de milho
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Silvana Leão 
Dorico da SilvaExpansãoParticipantes da reunião promovida pela Fapeagro: expectativa de aumento de área na safrinhaA Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro), criada em novembro, em Londrina, promoveu no último sábado a primeira reunião com representantes das indústrias produtoras de sementes de milho e indústrias moageiras, para discutir assuntos relacionados à safra de verão e à safrinha, que começa a ser semeada ainda este mês no Estado. Um dos objetivos da Fundação é dar suporte tecnológico à produção do grão fora de época, que devido à importância que vem assumindo nos últimos anos, deve receber o mesmo tratamento da safra normal.
Na reunião estiveram presentes também representantes de cooperativas e o pesquisador, consultor e professor da Universidade Federal do Paraná, Flávio de Lázzari. A perda da qualidade do grão (já em ponto de colheita em algumas regiões) em função das chuvas foi assunto extensamente discutido no encontro. A condição de chuva após a maturação fisiológica, associada às tecnologias de colheita e manuseio, é determinante na qualidade dos grãos, lembrou Lázzari.
Distribuição de prejuízos Por isso, segundo os participantes da reunião, tecnicamente não há muito o que fazer com o milho que, em alguns casos, chega a brotar nas espigas. Portanto, a preocupação agora é com o destino dos financiamentos adquiridos pelos produtores. Vamos aguardar ações que distribuam os prejuízos entre produtores, consumidores e agentes financiadores, observou José Gomes, pesquisador do Iapar e gerente executivo da Fapeagro.
Na opinião de Gomes, o encontro realizado no sábado mostrou que existe, por parte da iniciativa privada, uma clara disposição para investir em pesquisa e tecnologia, visando ao melhoramento da produção. Estiveram presentes à reunião 12 das principais empresas produtoras de sementes. Na oportunidade elas confirmaram o envio das amostras de cultivares que serão analisadas pelo Iapar em campos experimentais espalhados pelo Estado.
Material específicoAs análises vêm sendo feitas com frequência pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) nos últimos anos, e os resultados são divulgados entre os produtores antes do plantio da safra seguinte. A novidade este ano é que a Fapeagro avaliará também o desempenho das cultivares de milho utilizadas na safrinha, podendo indicar, com isso, quais as mais recomendadas para cada região.
Uma rede de experimentos será criada em seis microrregiões do Estado (Londrina, Sertanópolis, Primeiro de Maio, Campo Mourão, Palotina e Marechal Cândido Rondon), que serão mapeadas de acordo com a época de plantio, para definição das melhores cultivares.
A iniciativa demonstra a importância que a produção de milho fora de época vem adquirindo no Paraná. De acordo com José Gomes, algumas empresas já estão desenvolvendo linhas específicas de materiais de plantio para a safrinha. No ano passado, foram plantados aproximadamente 580 mil hectares de milho para ser colhido no inverno. Para este ano, a expectativa é que a área plantada ultrapasse os 700 mil hectares, disse Gomes.
O consultor Flávio de Lázzari lembrou, durante a reunião, que todas as grandes empresas de ração estão aumentando a produção para absorver o volume de milho produzido na safrinha. Já Wilson Pan, presidente do Iapar, disse que a tendência é que as áreas de safrinha de milho continuem crescendo, pois os moinhos de trigo estão comprando cada vez menos o produto nacional, desincentivando os triticultores a continuarem produzindo.


