Dentro do Plano Agrícola e Pecuário 2001/2002, do Governo Federal, foram destinados R$ 70 milhões para financiamentos das atividades de ovinocultura e caprinocultura em todo o País. No Paraná projetos pilotos deverão requisitar o uso desses financiamentos para a implantação do Cordeiro do Paraná, um programa do governo de Estado, lançado em abril deste ano, durante a exposição agropecuária de Londrina, e que ainda não saiu do papel exatamente por falta de recursos.
''Esse dinheiro poderá representar um estímulo para a produção de carne ovina,'' acredita o ténico do Departamento de Economia Agrícola (Deral), da Secretaria de Agricultura, Athaíde Miranda.
Perdeu espaço Com a introdução de ovinos de raças para corte na década de 70 no Paraná, segundo Athaíde Miranda, se previa um crescimento no setor de carne ovina para abastecer o mercado. A criação de reprodutores e matrizes desenvolveu-se rapidamente e o Paraná alcançou o primeiro lugar em rebanhos puros para corte, conquistando prêmios em exposições de todo o País.
Para produzir carne em regime comercial era necessário aumentar o número do rebanho comercial e para isso foram importadas matrizes de raças criadas no Uruguai. Mas não se produziu o que era esperado.
Mal dimensionadas, algumas ações para incentivar a atividade acabaram fazendo o contrário, garante Dirceu Galleas, da Ovicarne, associação de produtores de ovinos tipo carne. A ovinocultura, segundo Galleas, está desaparecendo lentamente porque o produtor não tem nenhum incentivo para produzir. Galleas é presidente da Ovicarne, parceira da Secretaria da Agricultura no programa Cordeiro do Paraná. A entidade reúne 23 associados e um rebanho total de 3 mil animais, utilizados para produção de genética que servirá a produção comercial de ovinos.
O Paraná tem hoje um rebanho de aproximadamente 500 mil cabeças, das quais 5% são destinadas a produção de genética, e está perdendo campo, segundo Galleas, para estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul que estão desenvolvendo a produção de carne ovina. ''Nos últimos anos a atividade no Paraná enfrentou muitas dificuldades. A falta de estímulo aos produtores gerou queda na produção e, consequentemente, falta do produto no mercado.''
Desestímulo e déficit Sem produção suficiente para abastecer o mercado, os abatedouros também foram fechando e os que permaneceram, na maioria das vezes, importam animais em pé ou carcaças de outros Estados e até de outros países para abastecer o mercado. Segundo Athaíde Miranda, do Deral, o déficit de carne ovina no Paraná pode ultrapassar as 90 toneladas/mês.
Parte do mercado paranaense estava sendo abastecido com importações de outros Estados produtores, como o Rio Grande do Sul. Vinha também produto do Uruguai, Austrália e Nova Zelândia. Com o fechamento das barreiras, devido a problemas sanitários nos locais fornecedores, este déficit deverá aumentar.
Outro ponto que pode prejudicar a compra de carne de fora é a alta do dólar. Com isso, os produtores que puderem investir na produção de carne ovina, têm uma boa oportunidade de abastecer o mercado interno, acredita o professor João Ricardo Pereira, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, outra entidade parceira no Cordeiro do Paraná.
Resultados ruins Segundo Athaíde Miranda, do Deral, o objetivo do programa Cordeiro do Paraná é organizar os produtores que hoje se encontram espalhados no Estado, cada um fazendo a criação a seu modo, sem nenhuma orientação técnica sobre sanidade, instalação, manejo e custo de produção. ''O produtor não sabe o potencial que tem nas mãos e não tem estímulo para encarar a atividade como sendo economicamente viável.''
Esse produtor, continua Miranda, tem um baixíssimo desfrute do rebanho ovino, produz uma lã de qualidade inferior, abate apenas animais de descarte e os cordeiros sobreviventes só vão ao abate com mais de um ano de idade a preços não compensadores. ''Daí a necessidade de se fazer alguma coisa para incentivar a ovinocultura paranaense.''

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