A etapa final do concurso Café Qualidade Paraná 2006 realiza-se no dia 31 de outubro, em Apucarana. Vão ser analisadas 37 amostras da bebida produzida nas regiões cafeeiras do Estado que foram selecionadas em eventos regionais. O concurso é promovido pela Câmara Setorial do Café, que envolve todos os segmentos da cadeia produtiva.
Mais que um prêmio para os produtores, o concurso, na opinião do coordenador estadual, Paulo Franzini, que é também secretário executivo da Câmara Setorial do Café do Paraná, legitima a qualidade do grão produzido e coloca o Estado no marketing dos cafés do Brasil.
Franzini reforça a mudança no perfil da cafeicultura: ''Antes, pensava-se o produto apenas como mais uma commodity do mercado agrícola. Hoje, há outros diferenciais a se considerar, como o tipo da bebida. O prazer é concedido pelo equilíbrio dos aspectos sensoriais do café, como aroma, corpo, acidez e adstringência''.
O técnico da Emater Cilésio Abel Demoner, que atua como implementador estadual da cafeicultura e participa da organização do evento, complementa dizendo que o concurso tem mapeado as potencialidades produtivas do Paraná. Isso, facilita a adoção de tecnologias adaptadas às peculiaridades do microclima de cada região, garantindo a melhoria da qualidade do produto como um todo. Ele destaca ainda o despertar dos produtores pela cafeicultura com qualidade.
O produtor Rold Cheida Pereira, de Mandaguari, é um bom exemplo disso. No ano passado ele faturou o primeiro lugar estadual na categoria Café Natural e a quinta posição no concurso nacional. ''O mercado não quer apenas quantidade de café, é preciso qualidade. Ela é quem permite sua permanência no setor'', sentencia.
Pereira cultiva 18 mil pés de café tupi numa área de pouco mais de quatro hectares. O mérito ele divide com os funcionários e ensina que o segredo é investir em tecnologia e capacitação. ''Com conhecimento se produz melhor'', resume. O lote de 10 sacas produzidas para o concurso, Pereira negociou a R$ 500/sc quando o preço de mercado era de R$ 225. O restante da produção do sítio também foi vendida a preços acima de mercado, R$ 280/sc.
Já o produtor Shigueo Yamamoto, de Apucarana, que foi o campeão do concurso estadual de 2005, destaca que o prêmio garantiu também a credibilidade do produtor junto aos compradores de café. ''Já tem gente de olho no produto antes mesmo de terminar a colheita, porque sabe a qualidade do que produzimos''.
Os dois produtores estão entre os prováveis ganhadores do concurso deste ano.

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