Buenos Aires - Um dos maiores eventos de tecnologia e lançamentos do setor agropecuário da Argentina, a Expoagro, terminou no último final de semana sob efeito das recentes medidas restritivas ao setor adotadas pelo governo de Cristina Kirchner. A feira, realizada entre os dias 2 e 5 deste mês no Corredor Produtivo de Baradero (a 150 quilômetros de Buenos Aires) não visa vendas diretas de máquinas e equipamentos, mas é uma grande vitrine dos lançamentos na área.
Diante da atual política do governo argentino, as grandes fabricantes com sede no Brasil não puderam mostrar na Expoagro 2011 produtos inéditos. O motivo foi a suspensão das emissões de licenças não automáticas para as importações de tratores e de colheitadeiras, em vigor desde o início deste ano.
A exigência dessas licenças nas operações de compra dos produtos brasileiros começou há cerca de dois anos e em dezembro houve uma sensível queda no ritmo de emissão destes documentos, culminando com a suspensão propriamente dita. Como resultado, nenhum embarque de máquinas brasileiras foi autorizado em 2011. Já são 2 mil pedidos de licença de importação acumulados.
A medida, somada à ausência de liberação de crédito para compra de maquinário estrangeiro, visa estimular o crescimento da indústria nacional, mas preocupa tanto os fabricantes estrangeiros, que têm naquele mercado um de seus principais consumidores (a Argentina é o quarto maior consumidor de colheitadeiras do mundo), como os revendedores argentinos, para quem a indústria nacional não tem estrutura para fornecer a mesma tecnologia que o setor vem importando.
''A expectativa é que esta situação seja resolvida em um curto prazo pelos governos do Brasil e da Argentina, levando em consideração o acordo comercial bilateral do Mercosul e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Este é o momento mais importante para compra e venda de maquinário. Além disso, a medida do governo atinge também os produtores de máquinas nacionais, que usam grandes componentes importados'', argumentou o gerente comercial da Case na Argentina, Christian Lancestremere.
Apesar da suspensão das licenças, Lancestremere informou que a situação do agronegócio é muito boa no país. ''Este é um ano de muitas possibilidades e acreditamos em grandes evoluções. As boas relações com o Brasil devem prevalecer'', ponderou.
Segundo o gerente comercial para a Argentina da New Holland, Sebastião Amauri Fagundes, a situação é mais crítica para fabricantes menores, que já estão sem estoque. ''No nosso caso, temos como aguentar durante o mês de março'', garantiu. Uma das colheitadeiras levadas pela New Holland à Expoagro 2011 foi a CR 9080, modelo de grande porte - um dos mais recentes da fabricante - e que incorpora alta tecnologia, bem ao gosto do mercado argentino.
De acordo com informações divulgadas pela organização da feira, a demanda superou a oferta de máquinas disponíveis no mercado, e as restrições às importações foram um dos motivos. ''A restrição impediu alguns negócios. As empresas importadoras foram as que mais sofreram com esta situação, pese a grande quantidade de consultas e pedidos pontuais. Claas, New Holland, John Deere, foram algumas das empresas afetadas por esta conjuntura'', diz um dos textos de divulgação dos resultados da Expoagro. Segundo o balanço, porém, mais de 200 operações foram fechadas durante o evento, resultando em números que superaram os 11 milhões de pesos.

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