Respeito a quem produz, propõe Strenger
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2003
Reportagem Local 
Strenger quer uma entidade forte, pautada em atitudes firmes e ações que façam o homem do campo ser respeitado. Defende uma Sociedade Rural caminhando junto com outras entidades, como a Faep e Ocepar, e com órgãos executores da política agrícola. No caso do estado citou a Seab e suas vinculadas. ''Cada um dentro do seu espaço, temos que caminhar juntos'' e defender projetos do interesse comum como o de exportação de carne, da Corol'', citou.
Mas, para ser forte - e buscar a reinserção da Rural nos meios políticos e, se possível, no centro das decisões - a entidade precisa da união interna. Precisa buscar forças com seus associados. Essa harmonização com o agropecuarista, hoje, passa por uma nova leitura, bem franca, de suas expectativas. Há que se conversar com o associado, sempre.
Sobre política, Strenger acha que é hora de rever as relações com os políticos e os seus compromissos com o setor. ''A agropecuária brasileira caiu em várias armadilhas'' - disse, citando exemplos dos planos econômicos. ''Agora chega. Queremos ser respeitados. Mas, para isso - insistiu - temos que ter entidades fortes. Temos que nos posicionar firmemente. É hora de tratar o ruralista com respeito. Mas isto vai depender muito da nossa postura enquanto entidade representativa''.
Cauteloso nas palavras, Strenger, porém, bate forte e diz que não se conforma que a ''falta de respeito tenha chegado ao ponto em que está''.
Invasões - Ele cita, neste caso, as contradições econômicas e políticas. E se posiciona sobre essas questões. No caso das invasões das propriedades pelo MST, os produtores não têm sido respeitados. A lei não está sendo respeitada. Citou diversas ''questões pontuais''. Entre as que mais intrigam estão as vistorias nas propriedades. O Paraná está sofrendo vistorias que são injustificáveis; o produtor tem que se defender previamente, apresentando relatório com argumento de que ele não é culpado de nada e que sua propriedade está sendo bem administrada. Por que deixamos chegar a este ponto?'' - pergunta.
E questiona: ''Como alguém que está trabalhando tem que se submeter à vistorias, defender-se previamente e, de repente, ficar fragilizado?''.
''Portanto - diz - a posição tem que ser firme. O mínimo a se fazer é exigir o cumprimento da lei. Em cima dessa reforma agrária há até interesses externos''.
Sem uma resposta firme - acrescenta - sem partir para o debate, estaremos concordando com tudo isso aí.
Do jeito que está, estamos permitindo que passem para a sociedade a idéia que os produtores são responsáveis pela crise social do País.
Outro erro histórico, segundo Ricardo Strenger, é que depois de toda uma história de concentração da renda - em que só setores financeiro e industrial foram beneficiados - estão passando a falsa idéia de que a simples doação de um pedaço de terra será a solução, quando as necessidades da sociedade são mais amplas.
''Não vamos aceitar que continuem passando para o povo a imagem de que o agropecuarista é o transgressor, quando a história está mostrando que as políticas econômicas dos governos não fizeram outra coisa se não transferir a renda da terra para outros setores.


