Resistência de insetos ao milho Bt preocupa produtores
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quinta-feira, 07 de agosto de 2014
Reportagem local 
A inserção da toxina Bacillus thuringiensis (Bt) na cultura do milho tem ajudado há muito tempo os agricultores a combaterem larvas e insetos, principalmente as lagartas da espécie Helicoverpa. Contudo, o inseticida natural contido em variedades transgênicas do grão tem apresentado falhas. Tanto que no Mato Grosso, uma associação de produtores notificou extrajudicialmente as empresas Monsato, DuPont, Dow e Syngenta pelo mal funcionamento da tecnologia.
Nery Ribas, diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), entidade que entrou com a notificação, afirma que o Bt tem registrado perda de eficiência em todo o País, inclusive no Paraná, segundo maior produtor de milho do Brasil. "Mandamos o comunicado para as empresas para ver o que elas têm a dizer sobre o problema, já que estamos abertos a futuras conversas e acordos", exalta o diretor técnico.
Mesmo sem manifestar qualquer ação em relação a determinadas falhas da tecnologia, como fez a Aprosoja, casos de resistência têm tirado o sono de agricultores paranaenses. Valdir Cavalaro, produtor na região de Rolândia (Norte), plantou 48 hectares de milho Bt na última safra e foi obrigado a fazer cinco aplicações de inseticidas para eliminar as lagartas. "Não adiantou nada o plantio de milho Bt", enfatiza.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mais de 95% do milho plantado no Paraná contém a tecnologia Bt. Só nesta segunda safra, o Estado plantou 1,90 milhão de hectares de milho e espera colher 10,24 milhões de toneladas do grão.
As indústrias têm se precavido com relação à manutenção da transgenia. Cesar Barros, gerente de marketing da Monsanto, aponta que a empresa tem trabalhado na piramidação das proteínas, utilizando várias proteínas em uma só planta com o objetivo de eliminar tanto as pragas suscetíveis quanto as resistentes a uma determinada proteína.
Barros destaca que além desse cuidado, a empresa tem divulgado a importância de adotar as boas práticas de produção, a exemplo do refúgio, rotação de cultura, monitoramento da área, entre outras técnicas.
Em relação à notificação extraoficial da Aprosoja sobre o mal funcionamento da tecnologia, a Monsanto do Brasil encaminhou um comunicado à FOLHA dizendo que cada tecnologia Bt proporciona níveis específicos de controle de diferentes pragas e são posicionadas de acordo com as características dos genes, ou combinação deles, presentes nos produtos.
Também por meio de nota, a Dow AgroSciences disse que já encaminhou a resposta à Aprosoja dentro do prazo previsto e que a companhia continua participando das discussões sobre o tema. A Dow esclarece que desde o lançamento de sua tecnologia Bt no Brasil, em 2009, a empresa conta com uma equipe de suporte que monitora suas tecnologias no campo.
Leia mais sobre o assunto na reportagem de Ricardo Maia na edição desta sábado da Folha Rural.


