O cafeicultor brasileiro ainda sofre muito com perdas na safra porque ignora ou resiste a técnicas já aprovadas pela pesquisa. Essa é a opinião do fitopatologista Laércio Zambolim, professor da Universidade Federal de Viçosa, que falou sobre manejo integrado doenças no IV Simpósio dos Cafés do Brasil. Ele acha inadmissível que ainda hoje o cafeicultor opte por variedades não resistentes à ferrugem, quando a pesquisa já desenvolveu 18 cultivares resistentes, que dispensam a aplicação de fungicidas ou caldas. ''Continuo a ver cafezais com as variedades tradicionais, como Catuaí e Mundo Novo, nas quais os produtores sempre depositaram confiança, mas que hoje não compensam mais'', observa.
Outra falha de alguns produtores, segundo o pesquisador, é não utilizar quebra-vento para proteção das mudas, no intuito de querer aproveitar toda a propriedade. ''Daí vêm o frio e as doenças e acontecem as perdas indesejáveis'', afirma. As plantas mais recomendadas para esse fim são a grevilha, o pinus, o feijão guandu e até o milho.
O manejo integrado de pragas foi abordado pelo consultor da Agrotest, Luis Onofre Salgado. Segundo ele, o maior investimento que o produtor pode fazer para controlar ataque de insetos é contratar um bom profissional que o oriente corretamente sobre as formas de prevenção e combate. ''Uma fazenda de café é um investimento alto. Não dá para ficar na mão de representantes de empresas, que vão recomendar a utilização de algo que não é preciso. O necessário é ter um bom agrônomo que vai orientar sobre o controle natural do bicho-mineiro, do ácaro plano e da broca do café, por exemplo. São pragas que se controlam com a manutenção de um pouco mato no meio das ruas do café'', ensina Salgado. (J.K.)

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