Da mesma forma que a utilização contínua de um mesmo antibiótico contra
bactérias desenvolve espécies resistentes de microorganismos, o uso
continuado de um herbicida, com o mesmo mecanismo de ação, faz um
processo de seleção entre as plantas daninhas, criando mutações,
resistentes a determinado agente outrora eficaz no controle de
infestações.
O tempo que uma espécie de planta daninha leva para adquirir
resistência a um tipo de herbicida é variável, de acordo com o produtoquímico e espécie de planta, mas em geral, quando isso ocorre, são
necessários poucos anos para que a planta daninha se multiplique na
lavoura, competindo com a cultura por água, luz e nutrientes, causando
prejuízos consideráveis.
Quando são identificados casos de resistência, o ideal é trocar de
herbicida ou combiná-lo com outro produto, de mecanismo de ação
diferente. O uso de altas doses requeridas para o controle de plantas
daninhas resistentes, além de ser mais caro, produz maior impacto
ambiental.
Para definir qual será o herbicida mais adequado e sua dose correta, o
produtor deve buscar a orientação de um técnico, pois existem várias
marcas comerciais e princípios ativos diferentes que têm o mesmo
mecanismo de ação e, neste caso, não resolve mudar apenas o nome do
herbicida. O produtor deve, também, usar produtos já recomendados pelos
órgãos oficiais de pesquisa. Esses produtos, dessa forma, têm ação comprovada.
Entre as plantas daninhas resistentes encontradas nas lavouras do Rio Grande do Sul (N.R.: onde se localiza a sede da Embrapa Trigo, instalada am passo Fundo) estão a leiteira, o picão-preto e o carrapichão.
O autor é pesquisador da Embrapa Trigo.

mockup