O leite é considerado um alimento nobre, completo e básico em termos de nutrição. No entanto, muitos dos antibióticos administrados nos animais para curar doenças podem passar para o leite comprometendo sua qualidade e trazendos riscos ao consumidor.
Por isso é importante respeitar o período de carência quando há uso de medicamentos e todo o leite com resíduos deve ser jogado fora. O leite com resíduos de medicamentos também pode trazer prejuízos à indústria na fabricação de derivados. O alerta é de Carlos André Amaos, gerente de serviços técnicos da Elanco, empresa que atua na venda de medicamentos veterinários.
Prejuízos Os resíduos de antibióticos, mesmo em pequenas quantidades, provocam nos seres humanos reações alérgicas, além de favorecer o aparecimento de resistência a certos organismos causadores de doenças.
Quando o período de carência de um determinado antibiótico não é respeitado, toda a produção de derivados também fica prejudicada. Queijos de longa maturação como parmesão, gouda e minas dependem da atividade microbiana para possuírem as características de textura e sabor ideais. Com o efeito do antibiótico a matéria-prima fica perdida, trazendo prejuízo para a indústria. É o caso também dos iogurtes. Para sua produção, é necessária uma fermentação ideal de um tipo de bactéria. Se ela for sensível ao antibiótico presente no leite os padrões de consistência e acidez não serão atingidos.
Uso adequado Já que a utilização de antibióticos é inevitável para o combate e a prevenção da mastite (uma das doenças em que mais se usam os antibióticos) e de outras infecções, deve-se fazer opção por aqueles com alta eficácia e baixos resíduos de forma a não comprometer a qualidade do leite produzido.
A melhor forma de evitar a ocorrência de resíduos no leite é o uso adequado dos antibióticos. Segundo Carlos Amaos é fundamental respeitar procedimentos de aplicação, dosagem e período de carência indicados nas bulas dos medicamentos. Outras medidas também ajudam a produzir leite de qualidade e sem resíduos como o manejo correto da ordenha, separando as vacas tratadas das não-tratadas; o cumprimento de normas de higiene, como a limpeza de equipamentos e a opção por um medicamento de baixo resíduo.
O tempo de resíduo no leite (ou seja, quanto tempo o animal libera leite com resíduo) deve ser considerado na hora de comprar um antibiótico. ‘‘Se uma vaca que produz 25 litros de leite/dia ficar 7 dias liberando resíduo no leite, isso resultará numa perda de, em média, R$ 70,00 (25 litros x 7 dias x R$ 0,40/litro). Imagine esses cálculos em termos de rebanhos de 100 a 200 vacas. O ideal é optar por medicamentos de formulações modernas, que podem levar à economia de 80% dessas perdas.’’
Atualmente, segundo Carlos Amaos, empresas de saúde animal investem em antibióticos elaborados para prevenção da mastite no período seco, e outros para uso durante a lactação, porém com tempo de descarte reduzido, evitando deixar resíduos.

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