Enquanto a fome se alastra no mundo e milhões morrem por falta de acesso aos alimentos, outros milhões se envenenam e adoecem pela sua ingestão. Neste contexto um novo conceito de alimentação vem sendo discutido com base na agricultura orgânica. A alimentação do século XXI deve atender não apenas às necessidades nutritivas do ser humano, mas também o aspecto social e ecológico preservando e promovendo a saúde do homem e do planeta.
O assunto foi discutido no 2º Encontro de Agricultura Orgânica, em palestra do gerente de produção da empresa Korin Agricultura Natural, de Ipeúna (SP), o médico-veterinário Luiz Carlos Demattê Filho. O evento aconteceu no último dia 5, em Londrina.
Demattê afirma que no século XXI, a alimentação engloba duas questões fundamentais: segurança do alimento e produção benéfica social e ambientalmente.
''O alimento consumido deve ser um alimento que a pessoa sabe onde e como foi produzido, que tenha garantia de que não vai trazer problemas para a sua saúde'', afirma.
Dentro da perspectiva de orgânicos, a alta concentração de aditivos (antibióticos, promotores de crescimento e outros aditivos quimioterápicos), o uso de agrotóxicos e produtos químicos para adubação na agricultura convencional são os principais promotores de doenças no homem e depredação ambiental.
''Os aditivos são nocivos tanto do ponto de vista de consumo quanto de produção. É um problema social e ambiental'', afirma Demattê. Ao defender a agricultura orgânica, o veterinário diz que o consumidor tem que conhecer todo o processo de produção do alimento desde o plantio até a chegada à sua mesa. ''Na produção convencional as pessoas ingerem forte quantidade de antibióticos ao comer frango; ingerem inseticida ao comer arroz''- garantiu.
Estes resíduos químicos, segundo Demattê, comprometem o mecanismo dos neurotransmissores e interferem no comportamento das pessoas. ''A grande quantidade de pessoas deprimidas hoje está relacionada ao baixo nível de um neurotransmissor: a dopamina'', afirma. Segundo ele, os venenos ingeridos junto com os alimentos diminuem o nível de dopamina.
''Nossa maneira de pensar, de sentir estão influenciadas pelos produtos químicos que ingerimos através dos alimentos'', afirma Demattê. De acordo com este raciocínio, a violência e o alto índice de criminalidades também têm origem além dos fatores econômicos e sociológicos à alimentação, de acordo com o gerente de produção da Korin.
Dentro deste contexto, Demattê afirma que ''a alimentação do século XXI deve produzir homens física e espiritualmente sadios; deve ser econômica e espiritualmente benéfica para produtores e consumidores; e deve ser sustentável''.
Demattê afirma que o movimento de orgânicos ainda é tímido e que para decolar depende do nível de consciência dos consumidores sobre a importância dos alimentos saudáveis.
Segundo dados do site do Planeta Orgânico, no Paraná existem 4.500 unidades produzindo orgânicos em uma área de 100 mil hectares.
Movimento de produção orgânica cresce no Brasil a um ritmo de 50% ao ano, segundo estudo do professor Moacir Roberto Darolt, divulgado na Internet no site do Planeta Orgânico.

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