O projeto de pesquisa começou em 1989, para orientar agricultores que já usavam o chorume de modo empírico, sem noção de dosagem. Logo no primeiro ano a experiência mostrou aumento de produtividade nas lavouras escolhidas para o experimento. Constatou-se, também, seu efeito positivo em pastagens. Além de aumentar a produtividade, o esterco de suínos contribui para estabilizar o solo e melhorar o ambiente, segundo pesquisadores envolvidos no trabalho.
O esterco de suínos aplicado na restevaOs pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Celso de Castro Filho, Mário Miyazawa e Elir de Oliveira - responsável pelo experimento em Palotina (96 km ao norte de Cascavel), no Oeste do Estado - participam de uma equipe multidisciplinar encarregada de avaliar a produção no sistema de rotação de milho e soja, no verão; trigo e aveia, no inverno. A suscetibilidade da terra à erosão e ao escorrimento é reduzida pelo emprego dos dejetos, que facilitam a infiltração da água. Esta infiltração dá estabilidade aos agregados do solo (quanto maior a infiltração, mais resistência à erosão). A infiltração é medida, usando-se um simulador de chuva.
AplicaçãoSão aplicadas em cada parcela usada no experimento cinco doses de chorume, na proporção de 0, 30, 60, 90 e 120 metros cúbicos por hectare. O chorume é usado da maneira como é coletado no tanque de decantação, e em três tipos de preparos de solo: arado de disco, escarificador e plantio direto. Essas operações são repetidas quatro vezes no campo, em todos os tratamentos.
Simulador de chuva, para medir a infiltração da água no soloO químico Mário Miyazawa informa que o chorume sofre várias alterações químicas, como aumento de nutrientes (principalmente NPK, a fórmula que reúne os nutrientes mais escassos no solo e que são indispensáveis para o desenvolvimento das plantas), redução da toxidez de alumínio e manganês; favorece, pelo deslocamento dos cátions, a translocação de cálcio e magnésio em profundidade; aumenta a complexação de cobre, zinco, manganês. Apesar de suas muitas vantagens, o esterco oferece um risco: aumenta a lixiviação dos nitratos no solo e pode contaminar as águas subterrâneas e dos rios.
Para avaliar as variações químicas causadas pela aplicação do esterco, os pesquisadores usam equipamentos especiais como espectômetros de absorção atômica, espectômetro de absorção molecular, potensiômetro e cromatografia de alta resolução.
Nesse projeto o Iapar tem convênio com a Embrapa de São Carlos (SP), para analisar o teor de matéria orgânica do solo, utilizando espectômetro infra-vermelho e ressonância magnética eletrônica. Além disso, estão avaliando o impacto ambiental da aplicação de chorume na agricultura e a incidência de coliformes fecais e salmonelas.
Uso racionalElir de Oliveira lembra que o projeto começou em 1989, na tentativa de levar os agricultores a trocarem o empirismo pelo uso racional daquela adubação natural em soja, milho e trigo. Naquele ano o modelo, instalado em Palotina, demonstrou que, usando-se 30 metros cúbicos no milho, conseguia-se aumento de até 30% na produtividade. E os níveis de potássio no solo subiram de 120 ppm (partes por milhão) para 212 ppm; a proporção de fósforo subiu de 6,3 para 13,2 ppm. No primeiro ano o Iapar obteve em torno de 10% de aumento médio no milho, com dosagem de 30 metros cúbicos por hectare. Aplicando a mesma dosagem no trigo, conseguiu em torno de 13% de aumento na produtividade. Nas forrageiras, obteve 76% de aumento de matéria seca em coast-cross e 117% na produção de proteínas na forragem para gado de leite e corte. Trabalhos anteriores comprovaram ganhos de produtividade e teores de proteínas em outras gramíneas (Estrela 2-Ipeame e Hermatria Iapar 36), em quatro cortes, após aplicações de esterco líquido de suínos e sulfato de amônio, e aumento médio de 23% no rendimento de grãos de milho, soja e trigo.
O sistema funciona assim: a forrageira é cortada, aplica-se o chorume, põe-se gado ‘‘em cima’’ e chorume de novo. Fazendo dessa forma, o agricultor não gasta adubo em forrageira; usa o produto (esterco suíno) que tem na propriedade, transformando um problema (o poluente) em solução (aumento da produção). Em Santa Catarina, onde a concentração de suínos é grande, os excrementos dos animais vão para os rios, penetram no solo e acabam poluindo as águas subterrâneas. Isto acontece também na Alemanha, que está desestimulando a suinocultura. A tendência é essa atividade deslocar-se para os Estados Unidos e América Latina, onde a criação de suínos é menos concentrada.
No Paraná, a Lei Ambiental restringe a instalação de pocilgas a 30 metros dos mananciais, e a localização da criação precisa ter autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Assim, o uso do chorume é importante para o ambiente. ‘‘Para o Paraná é um trunfo a adequabilidade da suinocultura, pela preservação ambiental, produção e devido ao próprio modelo de agricultura, mais diversificado’’, analisam os pesquisadores.

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