Reserva legal produz medicamentos
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Um profundo conhecimento da mata nativa assim como o uso múltiplo, sustentável e racional da floresta tem garantido à indústria Klabin s:a em sua unidade do paraná, em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), manter a excelência em outras atividades além da produção de papel e celulose. Um bom exemplo é o programa de fitoterápicos, com a manipulação de medicamentos e cosméticos cuja matéria-prima é extraída das plantas exóticas e nativas preservadas pela indústria.
O programa, segundo a farmacêutica industrial e bioquímica Loana Johansson, existe desde 1984, e privilegia a melhoria da qualidade de vida da comunidade, funcionários da empresa e seus familiares. Essa produção integra a área de Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), que tem Loana como gerente operacional, e são desenvolvidos nos mais de 85 mil hectares (ha) de floresta nativa e sub-bosques de cultivo comercial. As áreas fazem parte dos 230 mil ha de terras da Klabin, distribuídas em 11 municípios da região.
As áreas de manejo e cultivo estão agregadas à reserva de preservação da empresa conforme determina a legislação. A sustentabilidade dessa reserva legal, segundo a gerente, faz com que a empresa mantenha uma área quase que o dobro do exigido. Utilizando-se de um processo permanente de prospecção de biodiversidade, a indústria já catalogou 240 espécies diferentes, desse total 130 apresentaram potencial terapêutico. Esse número garante o uso aproximado de 60 plantas por estação na produção dos fitoterápicos.
O técnico agrícola Luiz Vicente Miranda destaca que, dessas espécies, 30 são nativas e as outras 30 são exóticas (historicamente trazidas por colonos e que se acostumaram à região). Entre as plantas nativas, 20 espécies são manejadas retiradas diretamente das matas. As outras 10 são nativas, mas domesticadas. ''São espécies que utilizamos de técnicas de cultivo para termos o plantio em áreas mais próximas'', explica.
Das exóticas, de acordo com a farmacêutica, 10 delas já são consideradas alóctones nascem espontaneamente sem a interferência do homem e podem ser retiradas da mata. As outras 20 espécies exigem técnicas agrícolas de cultivo, como a camomila. Loana explica que essas plantas, de acordo com a característica de cada uma, são multiplicadas através de dois processos: estaqueamento e sementes. Nas estufas, de acordo com o desenvolvimento, são preparadas para viver fora do ambiente protegido.
Outro cuidado que merece destaque é o de identificar as plantas pelo nome científico. ''Muitas delas têm propriedades parecidas mas indicações específicas, como é o caso do capim-limão, erva-cidreira e a melissa. O uso dos nomes científicos evita que se troque gato por lebre'', ilustra.
A farmácia de manipulação da Klabin, conta com 30 medicamentos básicos para utilização da equipe de saúde e mais 30 produtos de ação cosmética. Loana explica que os medicamentos são indicados para o tratamento de cinco doenças: gripes e resfriados; problemas digestivos (dispepsias); hipertensão leve; diarréias e desinterias; e ferimentos e lesões na pele. ''Essas doenças representam 49,7% de todos os problemas de saúde da comunidade Klabin'', justifica. O índice de resolução dessas patologias e de 95% com um custo médio quatro vezes menor se comparado aos produtos sintéticos. Toda a produção é direcionada para um público alvo de 15 mil pessoas, entre funcionários e familiares.
A aceitação da linha fitoterápica da Klabin atinge 97% da população usuária. O engenheiro florestal Luiz Gastão Bernett não esconde a satisfação com o uso desses produtos. ''Não preciso mais de antibióticos para combater as dores de garanta''. Já Maria Aparecida de Souza, do Viveiro Florestal, destaca a eficiência dos xaropes, como o de própolis, e dos repelentes de insetos. ''Meu filho de 1 ano sofria muito com as alergias de picadas de mosquito''.


