Aproveitar o potencial de uso da Represa Capivara, no norte do estado, é o objetivo do projeto que deve ser implantado no ano que vem. O Parque Aqüícola da Represa Capivara é um dos 40 que serão implantados no Brasil pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), vinculada à Presidência da República. No Paraná já foi implantado o parque no lago de Itaipu.
  As represas formadas para o funcionamento das usinas hidrelétricas são avaliadas integralmente para definir outros usos. ‘‘‘É possível ir além do lazer e dos esportes náuticos’’, diz Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, técnico em aqüicultura da Emater de Cambé. A criação de peixes em confinamento é um deles. Segundo Barreto um grupo com especialistas de diversas áreas prepara o projeto que será apresentado à Seap. Uma das finalidades do levantamento é a definição das espécies que poderão ser criadas em cativeiro.
  O decreto-lei 4895, de 2003, regulamenta a produção de peixes em sistema de confinamento em águas públicas, como as represas das hidrelétricas. A legislação permite que até 1% delas seja destinado a esse fim. Os 51 mil hectares da represa Capivara podem resultar em 500 mil toneladas de peixe ao ano.
  De acordo com Barreto, a implantação do parque vai beneficiar indiretamente mais de dois milhões de habitantes que vivem nos municípios próximos à Capivara. ‘‘Existe a perspectiva de instalar abatedouros em Alvorada do Sul e Cornélio Procópio’’, afirma.
  O levantamento dos impactos do parque é feito por uma equipe multidisciplinar formada por geógrafo, engenheiro de pesca, zootecnista, biólogo, veterinário, agrônomo e assistente social. O projeto deve considerar os efeitos do parque na região, os aspectos antropogênicos – a influência da população naquele ambiente –, análise da qualidade da água, correnteza, localização, além dos parâmetros físico-quí-
micos.
  ‘‘As colônias de pescadores, entidades e instituições que têm alguma relação com o lago também são envolvidas no projeto, assim como a concessionária que administra’’, diz o técnico da Emater.
  Para Ivan Takeshi Toyama, coordenador de Programas Ambientais da Duke Energy, concessionária da Usina Capivara e de outras sete usinas do Rio Paranapanema, a pesquisa e o planejamento das ações são importantes para os lagos. ‘‘É preciso atenção ao uso de rações e às espécies nativas ou exóticas que são colocadas na água’’, diz.
  O grupo gestor na semana passada deu mais um passo para a concretização do parque. O projeto de implantação foi aprovado e depois de alguns ajustes, que serão feitos por Ricardo Pereira Ribeiro, zootecnista da Universidade Estadual de Maringá (UEM), será encaminhado à Seap.
  De acordo com Barreto, o projeto prevê um custo de R$ 950 mil para a realização do levantamento de toda a área da represa e entorno, a análise físico-química da água, visando identificar as áreas mais adequadas para a implantação do parque. Os recursos são necessários para a contratação de técnicos e compra de embarcações e equipamentos.

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