A reposição das matas ciliares nas margens dos rios do Paraná pode ter o proprietário rural como principal aliado, a partir do momento em que houver vantagens no replantio das espécies nativas. O tema centralizou os debates durante o 1º Simpósio Paranaense de Mata Ciliar, que reuniu acadêmicos, pesquisadores e técnicos de vários órgãos durante toda semana em Maringá. ‘‘Se o homem estiver integrado ao projeto de replantio das matas ciliares, existem condições de recuperação’’, diz a professora Maria Conceição de Souza, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia), da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A posição dos pesquisadores é de que a reposição de espécies nativas nas matas ciliares, crie mais uma fonte de renda para os produtores. Muitas plantas que existiam em abundância nas margens dos rios, e que hoje estão confinadas a pequenas áreas remanescentes, possuem propriedades medicinais. O produtor, explica Maria Conceição, pode ser integrado ao projeto de recuperação, cuidando da reposição da mata e explorando as espécies de valor comercial.
ReplantioPara que isso aconteça é preciso que o replantio seja feito a partir de estudos, que já são realizados por algumas instituições de ensino superior, em rios de importância econômica no Estado. A UEM faz o levantamento no Rio Paraná, onde existe uma base de pesquisas do Nupélia, e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem um estudo do Rio Tibagi. Maria Conceição revela que outras instituições, como a Universidade Federal do Paraná e a Unioeste, também pesquisam projetos de reposição de mata nativa.
Onde não existe um projeto mais amplo, como o realizado pelas universidades, as organizações não governamentais (Ongs) lutam da forma como podem para chegar a resultados. A vantagem da reposição seguir orientação da pesquisa, segundo Maria Conceição, é devolver as condições originais de cada trecho de rio. Ela explica que existem diferenças entre a mata original de um rio para outro, e que ainda é possível fazer um estudo para recompor de acordo com as condições de cada área a ser trabalhada.
Banco de sementesMaria Conceição revela ainda que é importante replantar as espécies ‘‘colonizadoras’’, porque as demais surgirão onde houver remanescentes. Isso ocorre de dois modos. O primeiro através do que os pesquisadores chamam de ‘‘banco de sementes’’. São as sementes que ainda estão no solo, e que se não sofreram agressões por implementos agrícolas e voltam a germinar. Outra forma é o transporte de sementes, feito através de animais ou do próprio vento.
Ela conta que pesquisadores da UEM fizeram a avaliação de uma área em Assis Chateubriand, oito anos após a reposição da mata ciliar. ‘‘No replantio foram introduzidas oito espécies de plantas nativas da área, e menos de 10 anos depois encontramos 42 espécies’’. A mata analisada, lembra a pesquisadora, tinha a vantagem de estar próxima de áreas remanescentes, que contribuiram para a proliferação de outras espécies. ‘‘Por isso a necessidade de iniciarmos um trabalho de replantio antes que as matas existentes sejam comprometidas’’, aconselha ela.
ConscientizaçãoComo educadora, Maria Conceição defende também a conscientização do produtor para a importância de se manter ou repor a mata ciliar. ‘‘O agricultor precisa ser conscientizado de que, preservando, terá mais lucros a médio e longo prazo’’, lembra. A vantagem econômica do replantio da mata ciliar, através da exploração de espécies nativas, seria então uma forma de incentivar o produtor a participar do projeto. Ela lembra que não adianta plantar mudas ou sementes se ninguém cuidar.
O produtor integrado ao projeto, atuando na manutenção da área e a garantia de desenvolvimento da mata, é o único caminho viável. ‘‘Caso contrário todo esforço da pesquisa e do plantio será em vão’’, diz. No caso do Rio Paraná, onde a faixa de preservação é de 500 metros a partir da margem, dependendo da propriedade a área a ser ‘‘devolvida’’ à natureza é grande. ‘‘Mas é preciso fazer’’, aconselha.
Primeiro, para garantir as condições ambientais que sempre existiram na região a ser trabalhada. ‘‘Não estamos falando da área pesquisada pela UEM, mas todas as que se encontram devastadas’’, lembra. Com a reposição da mata nativa, continua ela, será preservada a qualidade da água, do solo através do combate à erosão e da sobrevivência de espécies ameaçadas de desaparecer. ‘‘São plantas de importância econômica, que não podem sumir assim’’.

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