Diferentemente do que o Deral projeta, alguns produtores que conversaram com a FOLHA já apontam quebra de produtividade nas primeiras áreas colhidas. Os problemas foram diversos ao longo da safra, desde veranicos, chuvas intensas e até geadas, que podem influenciar no resultado final. De qualquer forma, eles não acreditam que a rentabilidade ficará abaixo do custo de produção.
Igor Bonk é produtor em Astorga e há seis anos aposta exclusivamente na cultura do trigo. Após um prejuízo grande com o milho verão em 2010, ele seguiu com a triticultura nas últimas safras. Em 2016, numa área de 161 hectares (ha), o plantio ocorreu em 29 de abril. No momento, Bonk colheu 30% do total e os resultados até agora não foram tão bons. "Colhi nesta área inicial 33 sacas por hectare, mas esperava atingir a marca de 50 sacas. Em relação à qualidade do material, não tive problemas."
Para o produtor, diversos fatores atrapalharam. No início do desenvolvimento – primeiros 30 dias –, ele relembra uma chuva intensa na região, de 250 a 300 milímetros, "o que pode ter lixiviado os nutrientes aplicados na lavoura". "Logo em seguida, passamos por um veranico de 45 dias sem chuva e uma geada em 6 de junho. Essa área que chegou primeiramente no ponto de colheita acabou sentindo tudo isso."
A colheita deve ser finalizada em 15 dias. Para Bonk, é possível atingir melhores produtividades daqui para frente. Em relação aos preços de venda, o produtor relata que fechou com a cooperativa parceira por R$ 44,50 a saca. "Vou ter uma rentabilidade razoável, mesmo nesta área que tive quebra. Acredito que a partir de agora, com a pressão dos moinhos, o preço deve começar a cair. Sinceramente, no ano que vem, vou retornar para o milho safrinha, já que o preço do trigo segue ruim já por muitos anos."
Claudiner Ischida também tem uma propriedade em Astorga. Ele plantou 240 ha de milho, mas reservou 46 ha para o trigo, pensando na rotação de culturas e controle de ervas daninhas. Em 15 ha, ele atingiu uma produtividade de 45 sacas por ha, enquanto esperava pelo menos 66 sacas. "Peguei uma estiagem prolongada bem na fase do perfilhamento. Acredito que toda minha área vai ficar próxima a esse número. Já a qualidade está boa, com bom PH, e não acredito que teremos chuva o suficiente para atrapalhar a colheita. Não é o que está previsto."
Em relação à comercialização, Ischida comenta que ainda não fechou com a cooperativa, mas que praticamente "vai passar a caneta e apenas cobrir as despesas". "Ano a ano, o mercado de trigo não oferece expectativas para o produtor. Por isso vejo meus vizinhos não apostarem mais na cultura. Não há um estímulo e ninguém migra para a cultura."

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