A agricultura latino-americana está submetida a uma profunda contradição:a) por um lado tem a urgente necessidade de se modernizar, porque se não o fizer simplesmente não poderá enfrentar a fortemente subsidiada agricultura dos países desenvolvidos;b) e por outro lado os governos desta região, além de não subsidiarem e não adotar medidas protecionistas em favor dos seus agricultores, estão reduzindo exatamente aqueles recursos e serviços com os quais, tradicionalmente, se pretendeu fazer esta imprescindível modernização.
Infelizmente, existem evidências de que os nossos agricultores terão que continuar enfrentando esta injusta contradição, pelas seguintes razões:
1.Apesar dos avanços na Rodada Uruguai do GATT, o mais provável é que os países desenvolvidos continuarão subsidiando e/ou protegendo os seus agricultores, seja através de barreiras (alfandegárias,sanitárias, ambientais, etc.), entre outras razões porque lhes convêm e dispõem de recursos para fazê-lo, com o agravante de que os países em desenvolvimento não têm o suficiente poder político para impedir que o façam.
2.A adversa porém indiscutível realidade é que os governos dos países latino-americanos, mesmo que quisessem subsidiar os seus produtores, não disporiam dos recursos na quantidade que seria necessária para compensar os subsídios que concedem os países desenvolvidos.
3.Mesmo que quisessem adotar medidas protecionistas (como, por exemplo, proibir a importação de alimentos produzidos no País ou elevar suas alíquotas de importação), nossos governos encontrariam sérias dificuldades para fazê-lo, pela seguinte razão: tais medidas beneficiariam uma minoria de habitantes (apenas aqueles agricultores que produzem a cultura protegida), porém prejudicariam a grande e crescente maioria nacional, constituída pelos consumidores, os quais teriam que pagar um preço mais alto pelo produto protegido. A título de exemplo, no Brasil existem 6 milhões de pessoas dedicadas à produção leiteira (1.200.000 famílias), porém são 159 milhões os brasileiros que precisam tomar leite e muitos deles somente poderão fazê-lo na medida em que se consiga diminuir seu preço. Se fizermos idênticas comparações com outros produtos agrícolas em distintos países da América Latina, concluiremos que o enfrentamento de interesses entre os majoritários consumidores e os minoritários agricultores - estejamos ou não de acordo com esta tendência - será cada vez mais desfavorável para estes últimos.
Os conhecimentos emancipam os agricultores das dependências; os subsídios as perpetuam.

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