Toda a produção brasileira de mamona é industrializada, obtendo-se como produto principal o óleo e como subproduto a torta. As aplicações do óleo vão desde a fabricação de tintas, corantes, isolantes e lubrificantes de baixa temperatura para a indústria aeronáutica até o uso na manufatura de cosméticos e drogas farmacêuticas. Também é empregado na fabricação de desinfetantes e colas, além de servir de base para fungicidas e inseticidas.
Já a torta é utilizada na fabricação de fertilizantes, constituindo-se num adubo orgânico nitrogenado de primeira categoria. As folhas servem de alimento para o bicho-da-seda e, misturadas aos volumosos, aumentam a secreção láctea das vacas. A haste, além de celulose própria para a fabricação de papel, fornece matéria-prima para a produção de tecidos grosseiros.
O agrônomo Antônio Ricardo Lorenzon, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), defende o plantio da mamona nas regiões semi-áridas do Brasil, mas não o seu uso na produção do biodiesel. Segundo ele, o óleo bruto produzido a partir da mamona vale até cinco vezes mais que o biodiesel. ''É um óleo muito nobre para se queimar'', declara.
Lorenzon calcula que para competir com o preço do diesel, por exemplo, o litro do biodiesel feito a partir da mamona precisa ser comercializado a menos de R$ 2,00. Hoje, a saca com 60 quilos do produto está sendo vendida para a indústria de óleo por até R$ 50,00. ''Ao invés de agregar valor, o biodiesel desagrega valor à mamona'', diz.
Para o agrônomo, o cultivo da mamona também deve respeitar a vocação das diferentes regiões, caso contrário se torna inviável para o produtor. Ele afirma que o processo de transformação da semente em óleo é bastante caro e resulta em cerca de 60% de torta, que nem sempre é utilizada pela indústria. (M.G.)

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