Animados pelo preço do grão, e em busca de novas opções para substituir o trigo no inverno, muitos produtores resolveram investir na produção de canola nesta safra. Em São Sebastião da Amoreira, o produtor Paulo Tetsuo Ouchi, optou pela oleaginosa em uma área de 121 hectares. ''O veranico prejudicou a produção, mas com o preço alto devo conseguir boa rentabilidade'', avalia. Ouchi estima uma produtividade de 20 sacas por hectare e afirma que ainda irá produzir canola por, no mínimo mais três anos, para avaliar o rendimento da cultura. ''Se a situção do trigo continuar assim, a tendência é reduzir a área de trigo e aumentar a de canola nas próximas safras'', afirma.
Produtor de trigo desde 1977, Ouchi critica a política governamental que prioriza as importações do cereal e prejudica a comercialização da produção nacional. O engenheiro agrônomo da Vilela & Vilela, Fernando Eiji Nonomura, que atende o agricultor, ressalta a necessidade de utilização de maquinário de qualidade, pois os prejuízos podem chegar a 30% na colheita feita sem equipamento adequado. O produtor, que já efetuou o plantio com a compra garantida por contrato, comemora os preços deste ano e lembra que o custo de produção da canola é de aproximadamente 12 sacas por hectare, enquanto o do trigo chega a quase 33 sacas.
O agricultor Orlando Sanchez, de Ivaiporã, região Norte do Estado, espera colher cerca de 30 sacas por hectare nos 60 hectares cultivados. Sanchez avalia que o desempenho foi bom e pretende plantar novamente nos próximos anos. ''O milho tem risco em caso de geada e, no trigo, enfrentamos problemas pela política do governo que não protege os preços. Por isso, precisamos de outra opção e resolvi experimentar a canola'', relata.
O presidente da Associação Paranaense de Produtores de Canola (APR-Canola), Geovani Teixeira, é produtor da oleaginosa há seis anos em Candói, no Centro-Sul do Paraná. A área de 1,1 mil hectares já foi colhida e a estimativa é de um rendimento de 1.500 kg/ha. ''Com o preço baseado na soja, a rentabilidade foi acima do esperado, melhor do que a do trigo. Comecei com 50 hectares, mas fui aumentando a área ao ver o desempenho da lavoura e também pelos ganhos indiretos na produtividade das culturas subsequentes'', comenta.
O pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Omar Tomm, explica que enquanto os gastos com adubação são semelhantes ao do trigo, a produção da canola apresenta duas diferenças principais em relação ao cereal: a não necessidade de aplicação de fungicidas e o menor número de sementes cultivadas na mesma área. Segundo o pesquisador, esses fatores tornam o custo de produção por hectare de canola R$ 270 mais barato do que o de trigo. (M.F.)

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