O PIB (valor total das riquezas produzidas) da atividade agropecuária cresceu 3% neste ano, a metade do aumento de 2003 (6,54%) e abaixo da expectativa de crescimento da economia do país, de 5%. O setor movimentou R$ 524,5 bilhões e deve corresponder a 30,4% do PIB total deste ano (31%, em 2003).
Os dados são da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, com base em indicadores produzidos pelo Cepea-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo).
A perspectiva para o próximo ano é que os preços internacionais de grãos continuem uma trajetória de baixa. O resultado é uma estimativa de crescimento ainda menor para a agropecuária em 2005, de 2,2%.
A principal ancora será a soja. Apesar de uma expectativa de crescimento da safra, os ganhos serão menores. O preço da saca (60 kg) caiu de R$ 50 em abril para R$ 30 em outubro e, em algumas regiões, como no Mato Grosso, vem sendo comercializada a R$ 22. Segundo a CNA, os produtores do grão, que fecharão o ano com exportações de US$ 10 bilhões no complexo soja, devem ter uma rentabilidade nas vendas externas de US$ 1 bilhão a menos em 2005.

O relatório divulgado pela confederação traça uma boa expectativa para a produção de carnes, de café e de cana-de-açúcar. Ainda espera-se uma recuperação dos preços do suco de laranja.
Pelo segundo ano consecutivo, o país será o maior exportador mundial de carne bovina com um ganho de US$ 2,4 bilhões, 70% a mais do que no ano passado.
No cenário mundial, os preços da carne bovina estão 16% mais valorizados do que 2003, sendo pago pela tonelada US$ 2.128. A expectativa é que os preços se mantenham ou haja um incremento.
Os preços do café também tiveram aumento, ficando 22,95% mais valorizados, embora ressalte-se que a recuperação ocorreu devido à migração de produtores para outras culturas, reduzindo a oferta do fruto. ''O ano de 2005 promete um quadro positivo para a cafeicultura, com tendência de alavancagem de preços médios'', informa o relatório.
Já a produção de cana-de-açúcar atingirá um recorde na safra que está sendo encerrada, com 395 milhões de toneladas, um aumento de 9%. O preço do açúcar exportado deve subiu 35,4% e as exportações de álcool estão sendo quadruplicadas (2 bilhões de litros até outubro ou US$ 410 milhões). ''As estimativas para 2005 são que o Brasil coloque no mercado externo cerca de 3 bilhões de litros'', diz a CNA. (Folhapress).

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