Grande vilão no uso de agrotóxicos, o morango convencional vive um ótimo momento. A safra atual, estimada em pelo menos 11,4 mil toneladas no Paraná, tem sido estimulada pelo clima seco, que requer aplicações reduzidas de defensivos. Pouca chuva, menos umidade nas folhas, planta livre de doença é a trinca do sucesso, explica o engenheiro agrônomo Elcio Rampazzo, implementador de frutas na regional da Emater em Londrina.
  A produtividade média das lavouras paranaenses, calcula, deve girar em torno de 600 gramas de morangos por planta. Em Londrina, o plantio de mudas previamente climatizadas tem elevado a produção para até 1,2 quilo de morangos por planta. ‘‘A média estadual ainda é bastante defasada porque os produtores não investem em mudas mais sadias e de variedades altamente pro-dutivas’’, diz.
  Segundo Rampazzo, a compra das mudas, aliada ao pagamento da mão-de-obra, representam os principais gastos na condução dos morangueiros. Normalmente, as mudas utilizadas no Paraná são adquiridas de viveiros paulistas ou catarinenses e custam em torno de R$ 100/milheiro.
  Este ano, assinala o agrônomo, os produtores da região Norte do Estado investiram em mudas mais qualificadas, vindas de viveiros de Ponta Grossa, pelas quais pagaram cerca de R$ 170/milheiro. ‘‘Valeu a pena pagar mais por uma muda mais resistente a doenças’’, acredita Rampazzo, defendendo que o investimento na muda reduz em até 40% o uso de agrotóxicos
na lavoura.
  De acordo com o agrônomo, o morango é uma cultura rentável, mas que requer dedicação. Em fevereiro, o produtor deve iniciar o preparo do solo, que precisa ser fértil e profundo. Nessa época são feitos os canteiros e a adubação. Entre março e abril são transplantadas as mudas, que precisam de cuidados como irrigação, adubação e capina do mato. Também é nesse período que são feitas as aplicações preventivas de defensivos. Em junho inicia-se a colheita dos frutos, que dura até meados de outubro. (M.G.)

mockup