Melhoria de renda, diversificação da produção e reforço da própria alimentação familiar. Este é o resultado de programas desenvolvidos nas vilas rurais, construídas pelo Governo do Estado em algumas regiões. A venda dos produtos é feita em locais próximos das vilas, o que facilita o trabalho dos produtores. Até o final de 98 estarão instalados 350 conjuntos em todo o Paraná.
As vilas são divididas em lotes individuais de cinco mil metros quadrados para plantio. As casas ocupam 44 metros quadrados. Os moradores são selecionados a partir de critérios como uma renda mensal máxima de três salários-mínimos e vocação para o trabalho rural. Além de poderem produzir para consumo e venda do excedente, os chefes de família geralmente trabalham em fazendas próximas ou outras atividades.
Edson MazzettoComplementoLeni Horn. Com a fabricação da nata, a família consegue renda complementar mensal de até R$250,00.Renda complementarEm Ouro Verde do Oeste (72 quilômetros a Oeste de Cascavel), onde a vila rural tem 37 casas, a família de Guiomar Horn, 36 anos, dois filhos menores, está melhorando sua condição alimentar e a renda mensal, com a produção de nata.
A venda do produto, segundo Horn, representa mais renda que o leite antes vendido in natura. A produção mensal soma 60 quilos de nata, vendidos a R$2,50 o quilo. O objetivo é produzir 100 quilos mensais.
Com a nata e outros produtos, a família Horn consegue renda complementar mensal de R$250. Horn, que antes era empregado em uma fazenda na cidade de Toledo, agora trabalha como servente de pedreiro em Ouro Verde do Oeste. Ganha R$12,00 por dia, mas assim que ampliar a comercialização de produtos agrícolas pretende dedicar-se exclusivamente às atividades em seu lote na vila rural.
A esposa de Horn, Leni Alves, 35 anos, é parceira em todas as tarefas. Ela conta que, além de leite, nata e outros produtos agrícolas excedentes, que são comercializados, o objetivo é também vender frangos e ovos. Outro objetivo é instalar um viveiro de minhocas, para obter húmus destinado à fertilização da terra.
‘‘Vida melhor’’Até agora, com o dinheiro que economizou, a família Horn já pôde melhorar a casa, instalando lajotas no piso que antes era de cimento. A rotina também mudou. Leni acorda às 4 horas, para ordenhar duas vacas leiteiras. A seguir faz o preparo da nata na máquina.
No período noturno Leni frequenta uma escola (de 2º Grau) em Ouro Verde do Oeste. Em casa, ela estuda o idioma espanhol, porque acha necessário ‘‘falar pelo menos uma outra língua’’, e quer, juntamente com os filhos - uma menina de 10 anos e um menino de 11 anos - fazer um curso de Informática, ‘‘porque tudo vai se modernizando e a gente não pode fica para trás.’’
Na Vila de Agro-Cafeeira, no município de Matelândia (72 quilômetros a Oeste de Cascavel), o morador Sebastião de Souza Oliveira, 35 anos, uma filha, está começando a produzir tomates em área de 3,5 mil metros quadrados. Oliveira, quando criança, trabalhava na agricultura. Depois virou operador de máquinas.
No retorno à atividade rural Oliveira conta com a assistência técnica da Emater para produzir os tomates. A expectativa é colher 700 caixas mensais e obter rentabilidade de R$400,00.
Transformação de alimentosEm São Miguel do Iguaçu (102 quilômetros a Oeste de Cascavel), parte das 80 famílias da Vila Rural estão conseguindo renda adicional de até R$200,00 mensais com a produção de bolachas, roscas e pães. A atividade não exige investimentos em maquinaria; apenas a compra da farinha.
As mulheres da Vila Rural participaram de cursos de panificação, ministrados pela Cohapar, Emater e Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho. A extensionista social do Emater em Cascavel, Jussara Walkowicz, relata que têm sido realizados cursos nas áreas de produção primária (feijão, milho, hortaliças e outros alimentos básicos), e aproveitamento da matéria-prima, como a transformação da mandioca e milho em farinhas, ou a ‘‘industrialização’’ dos produtos, para consumo próprio e comercialização.
Em Itaipulândia (110 quilômetros a oeste de Cascavel), seis famílias da Vila Rural produzem balas de abóbora, banana, e de outras frutas. As balas são vendidas numa barraca da praia artificial do Lago de Itaipu.
Na Vila Rural de Missal, município vizinho de Itaipulândia, foi instalado um centro de comercialização de produtos, com venda inclusive de artesanatos. A melhoria de renda das famílias ‘‘é uma das formas mais eficientes de garantir a viabilidade das vilas rurais’’, observa Jussara Walkovickz.

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