Pequenos agricultores que não conseguiam mais ser competitivos no mercado, cultivando lavouras de soja e milho, hoje estão ganhando dinheiro, plantando banana, abacaxi e maracujá.
O cultivo de um hectare de maracujá, por exemplo, garante uma produção anual de 15 mil quilos da fruta. Comercializado ao preço médio de R$0,30 o quilo, a safra gera uma receita líquida de R$2,9 mil. Com a banana, a receita líquida em um hectare chega a R$3,3 mil.
Na propriedade de Celso Prediger a banana está rendimento quatro vezes mais que a sojaA mesma área cultivada com milho não rende mais de que R$310. Se a opção for pela soja, o rendimento líquido cai ainda mais, para R$205. O abacaxi, que tem ciclo mais longo, de um ano e meio, pode gerar uma receita ainda mais atraente. Os produtores de Capanema estão conseguindo uma renda líquida de R$ 7 mil por hectare cultivado com a fruta.
Paraná 12 MesesA opção pela fruticultura surgiu na região com o incentivo da prefeitura e do projeto Paraná 12 Meses, executado pela Secretaria da Agricultura com recursos do Banco Mundial (Bird) e contrapartida do governo estadual. O projeto visa a garantia de renda às famílias de pequenos agricultores ao longo do ano e o combate à pobreza, com a melhoria da qualidade de vida.
O Paraná 12 Meses repassou R$23 mil no ano passado, beneficiando 23 famílias de pequenos agricultores que optaram pelo cultivo de frutas como forma de viabilizar a pequena propriedade. Outros R$10 mil deverão ser liberados nos próximos meses, atendendo a mais 11 famílias.
O abacaxi também é uma opção lucrativa adotada pelo agricultor Milton Lauro SchimitzProduçãoUm dos agricultores beneficiados pelo Paraná 12 Meses, Auri Martins, plantou 4 mil metros quadrados de maracujá e está colhendo 5 toneladas da fruta na primeira safra. A expectativa para o próximo ano é elevar a produção para 10 toneladas. ‘‘Estou orgulhoso da minha produção. A fruta dá mais renda e o melhor é que o dinheiro entra na entressafra das outras lavouras’’, diz o agricultor, que cultiva também milho e feijão.
Auri Martins conta que antes, quando plantava apenas milho e feijão, não via muita chance de crescer. Agora já está mais otimista. ‘‘Se a gente conseguir instalar uma pequena indústria, para transformar a fruta e fabricar o suco de maracujá, aí melhora ainda mais’’, afirma. Outro produtor que comemora os bons resultados da safra de frutas é Celso Prediger. Ele plantou um hectare de banana e está colhendo 40 mil quilos. ‘‘A receita é quatro vezes maior que a obtida com a lavoura de soja’’, compara o produtor.
Celso Prediger vende praticamente toda a produção para as escolas da região que utilizam a fruta na merenda. O que sobra é comercializado no comércio de Francisco Beltrão. O agricultor optou pelo cultivo orgânico, que dispensa agrotóxicos. Segundo ele, por isso seu produto ‘‘tem mercado garantido e preço valorizado.’’
Milton Lauro Schimitz, também de Capanema, optou pelo cultivo do abacaxi. Ele plantou 5 mil mudas em 4,5 hectares, e está colhendo 15 mil frutos. A expectativa de receita anual é de R$4 mil, quatro vezes mais do que teria, se cultivasse a mesma área com soja.
O secretário da Agricultura do Estado, Antônio Poloni, visitou os agricultores beneficiados pelo Paraná 12 Meses na região Sudoeste. O secretário disse na ocasião que a fruticultura é uma das melhores opções para pequenas áreas, onde lavouras de soja e milho já não se viabilizam. Poloni informou que a Secretaria da Agricultura está trabalhando para aproximar os integrantes da cadeia produtiva, buscando um entendimento maior entre o produtor e o comerciante.
‘‘Estamos conversando com os donos de supermercados, para poder informar ao agricultor o que ele precisa fazer para padronizar sua produção e, com isso, ter uma boa colocação no mercado e conseguir um preço melhor’’, disse o secretário. Segundo Poloni, muitas vezes a forma de embalar a fruta pode ser a diferença entre vender bem o produto ou vê-lo sobrar na prateleira do supermercado.

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