Renda e empregos no meio rural
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sexta-feira, 15 de agosto de 1997
Cristina Côrtes 
Mário CesarRendaCredir Batista e dois funcionários da pequena indústria de doce de leite instalada na área ruralTudo começou há seis anos, quando a dona-de-casa Renilda Batista dos Santos resolveu transformar um hábito de família numa nova possibilidade de renda. Um destes hábitos, o de fazer doces caseiros, foi trazido de Minas Gerais, junto com a família que veio para o Paraná em l948.
Para ajudar no orçamento, Dona Renilda começou a fazer doce de leite, um dos mais tradicionais da culinária mineira, para vender na vizinhança. O marido, Credir Batista Gomes, trabalhava na roça em área arrendada e tinha muitas dificuldades, como a maioria dos pequenos agricultores.
ExemploAs vendas começaram pelos vizinhos e devagar o doce foi conquistando novos compradores. Do pequeno tacho e do fogão de lenha onde começou a cozinhar três litros de leite por dia, para fazer um quilo de doce, só resta a lembrança, conta Renilda. O negócio foi ampliado, e hoje a família processa 600 litros de leite po dia que se transformam em 300 quilos de doce/dia, ou seja, 15 mil kg por mês.
Dona Renilda, animada com a possibilidade de continuar ampliando o pequeno negócio da famíliaA pequena indústria está instalada no Bairro Pirapó, conhecido também como Comunidade Barra do Pau DAlho ou Bairro dos Crentes, localizado no município de Sabaúdia, a 30 quilômetros de Arapongas. A iniciativa de Dona Renilda já serviu de exemplo para outras famílias de agricultores que também começam a diversificar suas atividades. Além dos Batista, quatro famílias da comunidade já entraram no negócio do doce.
VantagensO bairro onde a indústria foi instalada fica bem próximo de Sabáudia, mas mesmo assim a família preferiu ficar na área rural. Entre as vantagens apontadas por Credir está a proximidade da matéria-prima para o doce, que é o leite fornecido em boa parte pelos próprios vizinhos, que também são produtores.
Outro fator é que, para mudar para a cidade, precisariam investir na compra de um terreno e outros gastos, e como os recursos para investimentos são poucos e vêm da própria atividade, tivemos que ir ampliando devagar, de acordo com nossas possibilidades, diz Credir.
Hoje a indústria ocupa 150 metros quadrados de área construída. O doce é cozido com o fogo mantido por uma caldeira alimentada por lenha de eucalipto e também restos de madeiras das indústrias de móveis localizadas em Arapongas.
Fazer um quilo de doce por dia exige conhecimento de culinária, mas fazer 300 quilos por dia exige muito mais do que saber dar o ponto no doce. Fomos aprendendo na prática, experimentando, testando, aumentando devagar, de acordo com nossa capacidade, comenta Credir.
Para produzir numa escala maior, é necessário ter uma estrutura de mão-de-obra, saber comprar os produtos utilizados, saber compor preço de venda, evitar o desperdício, conhecer o gosto do consumidor, e muitas outras coisas.
ComercializaçãoNo ínicio, o doce de leite puro era vendido apenas em barras de 900 gramas e 450 gramas. Hoje, já são oferecidas outras opções. Além do doce puro, tem doce com coco, com amendoim, doce em pasta, e cortado em pequenos pedaços em embalagens menores de 250 gramas.
A comercialização é feita com intermediários que revendem em diversas cidades, nos mercados, em feiras, nas ruas. O preço da indústria é de R$2,50 a barra de 900 gramas, R$1,25 a barra de 450 gramas, e R$0,60 o pacote com 250 gramas do doce cortado. O tempo de validade do doce é de 60 dias. Se não for vendido, pode ser devolvido para a indústria.
Credir informa que, além de ser vendido na região, seu doce também vai para Curitiba e São Paulo, e dá um lucro de 20%. Um dos segredos é você ter preço bom. O consumidor quer um preço de acordo com suas posses. Se o intermediário põe um preço alto, acaba não vendendo e fica com o produto encalhado. Aqueles que mais vendem são os que sabem colocar o preço certo, comenta.
O telefone instalado na comunidade encurta as distâncias e facilita o atendimento dos pedidos. Atendemos muita gente por telefone, falamos com pessoas de muitos lugares diferentes. Hoje a vida na área rural não é mais aquele isolamento, comenta.
Além da família, o casal e os dois filhos, trabalham na indústria cinco funcionários, gente da própria comunidade que já aprendeu uma nova profissão. Outras famílias seguem o exemplo, e iniciam também seu próprio negócio. É o caso de Valdir Ribeiro, que tem um propriedade de 9 alqueires onde planta soja e milho. Começou há um ano a fazer doce de leite, e agora já está construindo uma pequena casa para instalar a indústria. Atualmente produz 250 quilos por semana, mas espera aumentar em breve sua produção. O doce dá uma boa rentabilidade, bem maior do que a lavoura, diz ele.
Serviço: o telefone da indústria de Doces Batista é 044-972-2361.


