Brasília - A Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura divulgou na última quarta-feira sua primeira projeção para o valor bruto da produção agropecuária no próximo ano. A previsão é de recorde de R$ 440,5 bilhões, valor 5% superior aos R$ 419,7 bilhões estimados para 2013. Os técnicos do governo preveem crescimento de 6,2% na renda agrícola (para R$ 296 bilhões) e de 2,5% no faturamento do setor de proteínas animais (carnes, leite e ovos), que deve atingir R$ 144,5 bilhões.
As projeções feitas sobre o valor da produção dentro da porteira, com base nos preços praticados até outubro, sinalizam aumento de 9,6% na renda da agropecuária neste ano (R$ 419,7 bilhões), impulsionado pela expansão de R$ 23,5 bilhões (+9,2%) no faturamento do setor agrícola (R$ 278,7 bilhões).
Somente o faturamento da soja neste ano cresceu R$ 14,8 bilhões (+21,1%) e atingiu o recorde de R$ 85,4 bilhões. Para o próximo ano a expectativa é de aumento de 30% no faturamento da soja, para R$ 106,9 bilhões. Caso as previsões se confirmem, a participação da oleaginosa no valor da produção agrícola passaria dos atuais 31% para 36% em 2014.
O estudo prevê uma recuperação da renda dos produtores de algodão em 2014, após a queda de 30,3% registrada neste ano (para R$ 8,3 bilhões), provocada pela menor colheita decorrente da retração da área plantada. A expectativa é de aumento de 18% no faturamento dos produtores de algodão, para R$ 9,8 bilhões, com maior área cultivada. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam crescimento entre 16,5% e 22,0% nesta safra.
As perspectivas relatadas no estudo não são nada otimistas em relação ao café. As projeções são de quedas de 30,4% na renda da cafeicultura neste ano (para R$ 13,8 bilhões) e de mais 14,5% no próximo ano (para R$ 11,8 bilhões). Segundo o estudo, nos últimos três anos a renda da cafeicultura teve uma perda de R$ 8,045 bilhões. Os preços do café seguem pressionados no mercado internacional pela perspectiva de colheita de uma grande safra no Brasil no próximo ano e recuperação das lavouras na Colômbia e Vietnã.
No caso da cana-de-açúcar, a segunda cultura mais importante na renda agropecuária, as projeções são de aumento de 4,0% no valor da produção neste ano (para R$ 45,1 bilhões) e de leve queda de 0,3% em 2014 (para R$ 46,8 bilhões). Para o milho, que é o terceiro produto agrícola mais importante, a previsão inicial para o próximo ano é de queda de 19,2% na renda (para 29,3 bilhões), interrompendo a sequência de dois anos de crescimento (+22,8% em 2012 e +6,2% em 2013). A recuperação da safra norte-americana, após a forte quebra provocada pela seca no ano passado, pressionam os preços do milho no mercado internacional e derrubam as cotações no Brasil.
O estudo do Ministério da Agricultura prevê renda recorde de R$ 4,5 bilhões para os produtores de trigo em 2014, valor 19,2% superior ao registrado neste ano (R$ 3,8 bilhões), que por sua vez ficou 16,7% acima do registrado no ano passado. Os preços do trigo seguem firmes neste ano, sustentados pela retração na oferta na América do Sul, provocada pelos problemas climáticos. Já a perspectiva para o arroz é de aumento de 9,95% na renda neste ano (para R$ 7,6 bilhões) e de leve crescimento de 0,6% em 2014 (para R$ 8,3 bilhões). A maior renda do arroz foi registrada em 2009, quando o valor da produção do setor atingiu
R$ 11,2 bilhões.

Carnes
No setor de proteínas animais o destaque é a carne de frango, cuja renda deve crescer 23% neste ano e atingir
R$ 48,4 bilhões, conforme as projeções do Ministério da Agricultura. Para o próximo ano a previsão é de crescimento de 2,6% na renda dos avicultores, que deve atingir R$ 49,7 bilhões. As expectativas para a carne bovina são de crescimento de 1,6% neste ano (para R$ 49,5 bilhões) e de 3,1% em 2014 (para
R$ 51,1 bilhões). No caso do setor leiteiro as perspectivas são de aumento de 5,8% neste ano (para R$ 22,32 bilhões) e de 0,7% no próximo ano (para R$ 22,49 bilhões)

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