O treinamento acabou atraindo provadores de toda a região, obrigando à formação de duas turmasA expansão movimenta prefeituras, produtores e viveiristas. Além disso coemça a atrair profissionais que atuam em outros segmentos do mercado: um treinamento promovido pela Bolsa de Cereais e Mercadorias de Maringá (BCMM), para reciclar os provadores que atuam no órgão, acabou atraindo gente de toda a região. ‘‘Fomos obrigados a formar duas turmas para atender as 30 inscrições’’, explica a superintendente da Bolsa, Vera Lúcia Periotto.
Ela diz que a intenção era fazer uma reciclagem do pessoal que trabalha com café dentro da própria BCMM. ‘‘Com o crescente interesse pelo retorno da cultura na região, e a ausência de técnicos capacitados para a classificação, que era feita pelo extinto IBC, convidamos um profissional para reciclar nossos corretores’’, explica Vera. A Bolsa tem cerca de cinco corretores que atuam na classificação de café. Cooperativas, associações, comercializadores e até produtores buscaram informações sobre o treinamento, e a Bolsa foi obrigada a abrir vagas para atender o interesse da região.
O classificador e provador Ricardo Daler, responsável pelo treinamento, diz que o interesse na reciclagem do pessoal é um ponto positivo. Ela afirma que a volta do incentivo à cafeicultura acontece em todos os países produtores, e é preciso ter técnicos preparados para essa nova realidade. ‘‘A prova e classificação é um dos pontos mais importantes na comercialização do produto, definindo a qualidade e o valor do café no mercado’’, diz ele.
NuancesO provador, explica Daler, deve estar em boas condições de saúde, para poder acertar todos os elementos essenciais utilizados na classificação. ‘‘A pessoa deve evitar os abusos em todos os sentidos, para estar em condições adequadas de identificar todos os detalhes na prova’’, explica. O treinamento é mais teórico do que prático. Os alunos provam todas as variedades produzidas no País. Através da prova de xícara, os provadores têm que identificar todos os aspectos do café, determinando a bebida, que pode ser dura, riada, rio, rio-zona e neutra.
É preciso classificar ainda as nuances, que mostram se o produto está com acidez, verde, fermentado, barrento e outros detalhes que influenciam o valor do café na hora da comercialização. O produto utilizado como amostra na prova de xícara é menos torrado que o café comercial, ficando com uma cor achocolatada. A amostra é então colocada em xícaras e recebe água fervida. O provador experimenta cada amostra, classificando conforme o tipo de bebida e as nuances. ‘‘O trabalho parece difícil, mas com a prática um provador dificilmente erra em qualquer detalhe’’, diz Daler.
Todas as empresas que atuam no mercado de café, explica ele, possuem provadores-classificadores próprios, que definem as variedades do produto entregue. Daler esclarece que a importância da classificação pela prova é definir o tipo de produto, que definirá o mercado a ser destinado o café. ‘‘O tipo de café consumido no mundo inteiro muda de país ou até de região para outra, e a classificação pode definir não apenas o valor de mercado, mas também o destino final do produto’’, afirma. Em caso de dúvida, que pode ser levantada pelo cafeicultor ou pelo comprador, é feita uma arbitragem por uma junta. ‘‘O provador que tem uma certa prática e está bem fisicamente, no entanto, dificilmente erra’’, garante ele.
Faltam mudasO crescimento da área de café no Paraná, ou pelo menos das regiões em condições de abrigar a cultura, depende da produção dos viveiros. Em todos os municípios da região de Maringá a demanda de mudas é maior que a oferta. Para atender os pequenos produtores, o Governo do Estado está incentivando as prefeituras a instalar ou ampliar os viveiros. ‘‘Mesmo assim deve faltar muda’’, prevê o agrônomo Romualdo Faccin, da Emater regional de Maringá.
Ele acredita que os recursos para o custeio dos viveiros seja liberado a partir de agosto. Na região de Maringá existe uma estimativa de produção de 28 milhões de mudas. ‘‘Mas a demanda deve ser superior à capacidade de produção’’, acredita. Faccin aponta o caso de Colorado, município a 85 quilômetros de Maringá, onde o viveiro municipal tem capacidade instalada para produzir 300 mil mudas, enquanto a necessidade atual é de 1 milhão de mudas. Esta situação se repete em todos os municípios da região.
InteresseSegundo Faccin, o interesse pelo café está diretamente ligado ao valor que o produto tem alcançado no mercado internacional. Tanto que a área da cultura tem crescido em todos os 70 países produtores. Ele calcula que nos últimos 10 anos, a área com café cresceu 2 milhões de hectares em todo o mundo. A produção saltou de 80 para 100 milhões de sacas no mesmo período. ‘‘Mas o incremento no consumo e no uso do café de forma geral também tem apresentado um crescimento, o que torna a cultura atrativa’’, explica.
Faccin observa que o Paraná, que já foi o primeiro produtor nacional e hoje está em quarto lugar, precisa resgatar a cultura. Hoje o Estado tem 148 mil hectares de cafezais antigos, com baixa produção, em torno de 10 a 15 sacas por hectare. Com o café adensado a produtividade mínima, calcula Faccin, é de 50 sacas por hectare. ‘‘Mesmo que o preço da saca caia para US$ 100, o café continua vantajoso’’, explica. O custo de produção hoje está entre R$ 30 e R$ 40 a saca.
A volta da cafeicultura traz também a tecnificação das lavouras. O produtor que recebe as mudas, na maioria das vezes subsidiadas pelo município ou pelo Estado, tem que participar de um treinamento. ‘‘Queremos evitar os vícios que os produtores sempre tiveram com a cultura e mostrar que o café deve ser uma opção de renda’’, diz Faccin. O projeto quer evitar que o produtor, empolgado, plante café em toda a área, o que representa um risco grande.
O agrônomo lembra que somente este ano a Emater já realizou 40 cursos para orientar os produtores da região de Maringá, e mais 30 estão programados. Com a cafeicultura sustentada, Estado e municípios querem não apenas garantir renda ao pequeno produtor, mas também gerar mais empregos no campo. Pelos cálculos de Faccin, hoje no Paraná o café gera 60 mil empregos em 16 mil propriedades. É o segundo produto agrícola em arrecadação. Com o café adensado a tendência é movimentar ainda mais a economia do Estado.

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