Saiu esta semana o Relatório anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). É talvez o documento mais completo e objetivo já produzido sobre os alimentos transgênicos no mundo. Em especial nos capítulos que tratam da segurança alimentar e ambiental desses produtos, que é o que toca mais diretamente o interesse dos consumidores. Com mais de 200 páginas, o documento faz um resumo científico, econômico e social do conhecimento disponível até agora sobre a engenharia genética.
Uma consideração básica permeia todo o texto: a transgenia, quando usada corretamente, pode ser extremamente benéfica para agricultores, consumidores e para o meio ambiente. Sempre com a ressalva de que nenhuma tecnologia está isenta de riscos, de que o uso dos transgênicos deve ser avaliado caso a caso e de que são necessárias mais pesquisas para garantir e monitorar a segurança desses cultivos a longo prazo. As conclusões são baseadas, em grande parte, em um relatório do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), organização não-governamental que representa a comunidade científica global. Além de várias outras fontes especializadas.
Segurança alimentar - ''As plantas e os alimentos transgênicos derivados delas hoje disponíveis foram julgados seguros para comer e os métodos usados para testar sua segurança foram considerados apropriados'', começa o capítulo sobre segurança alimentar. Mesmo após vários anos de consumo em larga escala, segundo a FAO, não há nenhuma evidência de efeito nocivo sobre a saúde decorrente dos transgênicos. ''Muitos milhões de pessoas consumiram alimentos derivados de plantas GM (geneticamente modificadas) - principalmente milho, soja e canola - sem nenhum efeito adverso observado'', afirma o relatório.
Cautelosa, entretanto, a FAO deixa claro que ''a falta de evidências sobre efeitos negativos não significa que novos alimentos transgênicos sejam isentos de risco''. ''Cientistas concordam que não se sabe o suficiente sobre os efeitos a longo prazo de alimentos transgênicos (e convencionais)'', completa.
Entre as grandes preocupações envolvendo a segurança alimentar dos transgênicos, segundo a FAO, estão risco de provocar alergias, presença de substâncias tóxicas e uma possível transferência de genes para o organismo humano.

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