Para que essa roda do investimento do agro gire de forma eficiente e respaldada nas projeções econômicas positivas, é preciso que as relações de venda no mercado externo estejam em sintonia fina. No contexto do novo governo, até aqui este foi o “calcanhar de aquiles” pensando no setor, já que houve dois imbróglios: a situação da mudança da embaixada em Israel para Jerusalém, que estremeceu a relações comerciais com os árabes na compra de proteína animal, e uma crise recente na Apex (Agência Brasileira de Promoções de Exportações e Investimentos), com a demissão do embaixador Mario Vilalva da presidência da agência nesta semana.

A exoneração aconteceu depois que o jornal Folha de São Paulo revelou “que o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, realizou uma manobra para retirar poderes de Vilalva e transferi-los a dois diretores aliados dentro da agência: Marcio Coimbra e Letícia Catelani”. O presidente da Apex, em entrevista ao jornal paulista, criticou o ministro pela “manobra na calada da noite” e, assim, foi exonerado.

Vale dizer ainda que durante essa semana Mapa e CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) realizaram um jantar com mais de 37 embaixadores do mundo árabe para colocar panos quentes nas declarações de Bolsonaro e, assim, os negócios continuem aquecidos. “O Brasil precisa continuar amigo de todos os países que querem comprar”, salientou a ministra, Tereza Cristina, durante visita a ExpoLondrina.

Para a Ministra, mesmo que as relações com a China sejam bem representativas, “não é saudável colocar todos os ovos numa cesta só”. O ministério, portanto, tem prospectado novos mercados, como acontece agora em maio, quando vai para o Japão, Vietnã, a própria China e também a Indonésia para uma série de encontros com autoridades e investidores estrangeiros. “Temos muito da Ásia para prospectar. A Indonésia é um grande país, com 300 milhões de pessoas, que ainda temos muito para trabalhar.”

A diretora de negócios da Apex, Letícia Catelani, que também participou do Expo relata que este ano existe a expectativa de abertura de novos mercados de proteína animal, como o Cazaquistão, com a expectativa de exportação de 700 mil cabeças de gado e gerar faturamento de meio bilhão de reais, e também em Singapura. “A ministra deve anunciar em breve a abertura desse mercado.”

Em relação ao desgaste junto ao mercado árabe pós declaração de Bolsonaro, Catelani, que foi indicada ao cargo por Eduardo Bolsonaro, cravou aqui durante a Expo que não vai acontecer retaliação. “No primeiro bimestre tivemos uma exportação recorde de proteína animal para os países árabes. Mesmo que eles quisessem, não conseguiram suprir (a demanda deles com outros compradores), porque querem comprar barato e só o Brasil oferece essa segurança alimentar. Não podemos cair nesse 'mimimi' da imprensa.”

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