No último dia 21 um grupo de 50 produtores do Distrito da Prata, em Cambé, se reuniu com representantes da Prefeitura para solicitar a adequação emergencial de um trecho de quatro quilômetros da estrada que leva à comunidade. Na ocasião, a Prefeitura de Cambé garantiu que executará uma obra de manutenção provisória para dar condições ao tráfego e, na sequência, fará a manutenção periódica da estrada enquanto negocia recursos com os governo federal e estadual para executar uma nova pavimentação na estrada.
Antonio Carlos Gandolfi é o presidente da associação de produtores da Fazenda Acolá, que reúne 42 lotes no distrito rural de Guaravera. Ele conta que inúmeras vezes solicitou à Prefeitura de Londrina para que fizesse a recuperação necessária na estrada, mas a situação está complicada há cerca de três anos. ''Com chuva ou sol a produção sai'', ressalta Gandolfi, que produz mandioca e milho verde. Segundo ele, em muitos casos, o trator utilizado para arrastar a produção revira a terra e gera ainda mais barro, o que dificulta a passagem de carros pequenos. ''Têm dias que eu preciso deixar o meu carro em outra propriedade e seguir a pé até a minha casa'', afirma.
Quando precisa, Gandolfi pega emprestado o trator de algum vizinho para fazer o escoamento da produção. Entretanto, em outros locais os produtores podem não contar com essa solidariedade e precisam pagar pelo aluguel do veículo. Segundo ele, o aluguel de um trator grande custa, em média, R$ 120, e de um pequeno, cerca de R$ 90.
O agricultor Antonio Tonassi alega que nenhum comprador busca os produtos na Fazenda Acolá devido ao estado de má conservação da estrada. Para levar as mercadorias, Tonassi precisa utilizar um trator. Quando chove, ele empresta seu veículo para vizinhos, como o prório Antonio Gandolfi. ''Aqui acaba um ajudando o outro'', comenta. Para Tonassi, a colocação de moledo já seria suficiente. ''Moro aqui há 10 anos. No começo a estrada tinha cascalho, mas foi destruindo com o tempo'', relata.
Perecível
Jair Carlos da Silva produz 1.500 litros de leite por dia em sua propriedade ''Estância das Cascatas'', em Tamarana, e precisa transportar a produção a cada dois dias. ''Fui obrigado a comprar um trator traçado. Um dos motivos foi puxar o caminhão de leite porque eu já estava cansado de pedir o trator do vizinho nos dias de chuva'', ressalta. Jair reclama que, apesar de insistentemete solicitar os reparos junto a Prefeitura, o problema não foi resolvido.
Como o leite é um produto perecível, Jair acumula a produção no reservatório de sua propriedade, mas precisa retirar a cada dois dias, pois nesse prazo o volume produzido atinge o limite de compartimento. O agricultor relata que o problema da estrada - que atende ainda mais duas propriedades - começou a se agravar há mais de dois anos.(M.F.)

mockup