O Grupo Maggi, liderado pelo maior produtor individual de soja do País, André Maggi, não vai plantar a soja transgênica, por enquanto. O grupo adotou uma posição de cautela e prefere aguardar a definição de algumas situações que ‘‘não estão claras’’, por mais um ou dois anos, afirmou Itamar Lockes, diretor de produção e genro do pioneiro André Maggi.
A principal dúvida do grupo refere-se aos avisos emitidos por países europeus que não vão comprar a soja transgênica. Além disso, Maggi e a família concluiram que a soja transgênica ainda apresenta muitas contradições e por isso o grupo ‘‘não pretende entrar de cabeça.’’
FuturamenteLockes admite que futuramente os produtores não vão resistir ao avanço da tecnologia. Mas a rendição vai ocorrer na mesma medida que os países consumidores se renderem, justifica. Ele também não acredita que os países consumidores vão restringir por muito tempo a compra de produtos totalmente isentos de organismos geneticamente modificados.
‘‘Para que os países europeus possam consumir a soja plantada tradicionalmente, precisam desde já pagar mais por ela’’, disse. Lockes insiste em que os países europeus falam muito que não querem consumir os produtos transgênicos, mas não se organizam em pagar mais por um produto diferenciado.
O grupo Maggi plantou, na safra 98/99, 40.000 hectares com soja no Mato Grosso, entre as seis fazendas na região de Rondonópolis e uma em Sapezal, Norte do Estado. Além da soja, dedica 6.000 hectares da área total ao algodão e o restante à pecuária. Lockes está comemorando o fechamento da safra com uma produtividade de 3.240 quilos por hectare, que corresponde a 54 sacas por hectare, um índice alto a nível nacional. Seus vizinhos produzem em média 50 sacas por hectare. Além dos cuidados especiais que têm com a lavoura, atribui o bom desempenho da produção ao clima da região favorável ao desenvolvimento da soja.
CustosO representante do grupo Maggi também não perdeu a oportunidade de protestar contra a elevação nos custos de produção, que está retirando toda a possibilidade de ganho com a cultura. Disse que no Mato Grosso o produtor está desembolsando em média US$360 por hectare. Como a saca está sendo comercializada por US$7, o rendimento máximo atinge US$378, considerado baixo para os investimentos gigantescos feitos na região.
Lockes disse que na região, os produtores estão vivendo o drama da dívida em dólar após a desvalorização cambial. Os recursos para o custeio agrícola são captados em dólar, só que o preço da soja caiu. Lockes lamenta mais a queda no preço da soja do que a elevação no preço dos insumos. ‘‘ O que não podia é a queda no preço da soja em dólar’’, insistiu. Na safra passada, comercializou a produção entre US$10 e US$11 a saca.
Ele reconhece que se não tivesse os cuidados recomendados com a lavoura, certamente teria prejuízo, porque a margem de rentabilidade está sendo mínima este ano. O grupo trabalha com pesquisa, investe em correção de solos, investe em produção própria de sementes e em modernização dos equipamentos. Recentemente o grupo comprou 30 colheitadeiras, financiadas pelo Finame, que custaram em torno de R$3,6 milhões.
ComercializaçãoA receita do grupo vem da comercialização da soja, da venda de sementes e do escoamento da produção através de hidrovia própria, a Madeira-Amazonas, desenvolvida em parceria com o governo da Amazônia, e ainda mantém uma rede de armazéns no Estado, que compra soja de terceiros. Este ano, Maggi pretende comercializar 250.000 sacas de sementes. No total, deverá movimentar 1,1 milhão de toneladas de grãos este ano.
O Grupo Maggi é oriundo de São Miguel do Iguaçu, no Paraná. O pioneiro André Maggi ainda reside no Estado, e a família administra as fazendas no Mato Grosso. A primeira fazenda, de 2.500 hectares, foi comprada em 1979 no município de Rondonópolis. Hoje, o grupo tem 100.000 hectares de terras distribuidos em seis fazendas em Rondonópolis e uma fazenda, com 70.000 hectares, no múnicípio de Sapezal, Norte do Mato Grosso.
A soja produzida na Chapada dos Parecis, em Sapezal, Campo Novo, Campos de Julho, Comodoro e Rondônia, vai por hidrovia, em barcaças, pelo Rio Madeira até o Rio Amazonas no porto de Itacoatiara. Dali, a soja é carregada em navios que se dirigem ao Mercado Comum Europeu. Com essa rota alternativa, o custo de embarque da soja, que antes era exportada via portos de Santos e Paranaguá, caiu em US$25 por tonelada. A expectativa para este ano é exportar 650.000 toneladas de soja pela rota Madeira-Amazonas. A hidrovia tem participação de 57% do Grupo Maggi e 43% do governo do Amazonas.ArquivoItamar Lockes admite que no futuro os produtores não vão resistrir a nova tecnologiaVânia Casado

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