Regule a máquina para colheita
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Os irmãos Devanir e Tercílio Herek, de Sabáudia, no Norte do Paraná, já começaram a fazer a revisão e regulagem da colheitadeira. A máquina será usada na colheita do trigo, não só da propriedade da família mas de outros agricultores que contratam, nas safras, o serviço dos irmãos Herek.
Geralmente, quando termina a safra ninguém mais quer ver a máquina, conta Devanir. Por isso, a primeira coisa a fazer, antes da nova colheita, é limpar os restos da cultura anterior e engraxar correias, rolamentos e outras partes da máquina.
Onde fazerA revisão vai depender do estado da máquina, mas o produtor não deve esquecer que uma boa regulagem será produtiva no rendimento. Quanto mais velha a máquina a tendência é ter mais coisas a ajustar.
Essa revisão pode ser feita na propriedade, através de mecânicos, nas próprias concessionárias ou por mecânicos particulares que vão até a propriedade realizar o serviço. Para isso cobram, em média, R$22 a hora de trabalho, mais R$0,55 por quilômetro rodado.
O que fazerA regulagem de ajustes das facas da barra de corte e a reposição de peças quebradas ou muito gastas deve ser uma das primeiras providências. Muitas vezes é necessário conhecer a máquina, porque existem coisas mínimas que devem ser vistas que na hora da colheita serão importantes para o rendimento. O ajuste na placa de desbaste, por exemplo, tem que ser feito a cada 15 dias durante a safra, lembra Devanir.
Interessados em resolver os próprios problemas e para economizar o dinheiro gasto no mecânico, os irmãos fizeram alguns cursos de operação de colheitadeira e procuram resolver parte dos problemas na propriedade mesmo. Só quando complica chamam um mecânico. Se possível, desmontamos a peça com problema e levamos até a oficina. Isto porque o mecânico cobra por hora de trabalho e pelo quilômetro rodado, conta Tercílio.
Da barra ao graneleiroO molinete deverá estar o mais próximo possível da barra de corte, para empurrar o trigo para dentro, cerca de 20 centímetros à frente da barra de corte. A altura deverá ser de dois terços da planta. A velocidade da barra de corte deverá ser de 3% a mais do que a velocidade da máquina. Há recomendação de técnicos de que essa velocidade não pode ultrapassar os 5 km/h.
A regulagem do caracol, o alimentador da esteira por onde passará o trigo, dificilmente dá problemas, mas segundo Tercílio, deve ser revisada sempre. Ele lembra ainda que a esteira por onde passa o trigo tem que estar alinhada e a regulagem é feita pelo lado de fora da máquina.
Também a regulagem do côncavo, que pode ser manual ou mecânica, ensina Devanir, deve ser bem feita. Tem que ser de 1 centímetro a frente e meio centímetro atrás para que o trigo não passe por inteiro, prejudicando a debulha. Se o côncavo não for bem regulado pode haver perda de até 50% do produto.
As velocidades do cilindro, a abertura a do côncavo e outros detalhes, no caso da máquina dos Herek, podem ser reguladas da cabine, mas é preciso verificar sempre se elas estão dando um bom rendimento ha hora da colheita.
Há também a regulagem da peneira, por onde passa o trigo, separando o grão da palha. O grão vai para o graneleiro e a palha é jogada fora. É preciso verificar sempre se não há grãos sujos no tanque graneleiro. Pode ser feito um ajuste do fluxo e a quantidade de ar na área.
Estoque de peçasNormalmente a revisão começa 30 dias antes da colheita. Algumas peças o produtor poderá ter em estoque. No funcionamento da colheita não se pode perder tempo de largar a máquina para ir na concessinária e comprar a peça.
Entre as peças que mais quebram estão as facas de corte ou navalhas de corte e os dedos duplos, peças que o produtor deve ter de sobra na propriedade, inclusive dentro da cabine da colheitadeira. Outra coisa que pode carregar na cabine são os rolamentos, de onde surge também o maior número de problemas.
Um detalhe importante, segundo Devanir, na hora da revisão da máquina e mesmo na colheita, é não usar camisas de manga comprida ou chapéu. A revisão, muitas vezes, é feita com a máquina em funcionamento e as mangas da camisa ou o chapéu podem enroscar nas correias ou rolamentos, machucando o operador. Também no momento da colheita, quando é preciso fazer alguns ajustes é aconselhável usar mangas curtas.
Úmido nãoO agrônomo da Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop), entreposto da Warta, José Maurício Moresche, aconselha, no momento da colheita que o produtor faça uma amostra da área e leve até uma empresa ou cooperativa para verificar a umidade das plantas. Se estiver muito úmido fica difícil de debulhar. O ideal é ter até 16 a 17% de umidade.
Segundo o agrônomo, dos 5 mil ha de lavouras de inverno na área do entreposto, 1.900 ha ficaram com o trigo, 2.700 ha com o milho safrinha e no restante não se plantou nada.
No caso do trigo, teve produtor que esperou a chuva para o plantio, mas a chuva não aconteceu. O recomendado é plantar a partir de 20 de maio. Quem plantou depois das chuvas (maio/junho), hoje tem as melhores lavouras. Os que semearam no pó, obtiveram lavouras desiguais; cerca de 70% dessas áreas estão desuniformes.
De acordo com o agrônomo, um bom rendimento para o trigo é ter 40 a 45 sacas/ha. Só que este ano deve-se colher entre 20 a 25 sacas/ha. A colheita de algumas áreas de trigo, segundo Moresche, será feita no final de setembro e ele lembra que para minimizar as perdas pela seca é importante ter cuidados na hora da operação. Excesso de velocidade e colheita de áreas onde o trigo está ainda muito úmido podem trazer prejuízos maiores.
Movimento fracoAs revendedoras de máquinas agrícolas mantêm o serviço de mecânica para os produtores interessados na revisão. Há também a opção de procura mecânicos particulares. As revisões das máquinas para safra do trigo são feitas normalmente nos meses de junho e julho.
No caso de concessionários, se a máquina estiver dentro do prazo de garantia, que é de um ano, o serviço será gratuito, a não ser que seja preciso trocar alguma peça que esteja fora da garantia.
De acordo com o gerente da NewAgro, empresa concessionária de Londrina, Luís Antônio Viana, fora do prazo de garantia a maior procura dos agricultores tem sido por peças de reposição. Os irmãos Devanir e Tercílio Herek, por exemplo, mantém na propriedade um estoque de peças básicas para não terem que parar a colheita.
Viana avalia que a procura por máquinas novas tem sido média; o movimento maior acontece após uma safra de bons resultados. A seca, segundo ele, tem afetado o rendimento das últimas safras, reduzindo o lucro do produtor e, portanto, o investimento em máquinas.


