Regiões tradicionais se mantêm
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
As regiões tradicionais na produção de suínos e aves do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), comparadas com novas áreas de produção como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ainda têm um custo de produção mais compensador e, por isso, são mais competitivas. A afirmação é do chefe da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC), Dirceu Talamini.
Segundo Talamini, que falou aos participantes do 1º Fórum de Conjuntura Nacional de Aves e Suínos, realizado no final de julho em Concórdia, as produções de aves e suínos não estão se transferindo do Sul para o Centro-Oeste, como previam análises econômicas que levaram em consideração a oferta de grãos.
A contrário, garante o pesquisador da Embrapa, é nessas regiões tradicinais que hoje se verifica o maior crescimento da suinocultura e da avicultura. A vantagem dos Estados do Sul, segundo Talamini, está no uso da mão-de-obra especializada e familiar, o que garante menor custo de produção das atividades.
Agricultura familiarEm Santa Catarina, por exemplo, as propriedades que têm o sistema integrado de produção de suínos ou aves é baseada em agricultura familiar. Por isso, esses produtores, de certa forma, segundo Talamini, têm um custo de produção menor e se contentam com a lucratividade menor do que nas novas fronteiras.
Somado a isso, avalia Talamini, está a questão de conhecimento e infra-estrutura, que já estão prontos nessas regiões tradicionais de produção.Com isso, o produto final acaba sendo mais vantajoso para o Paraná e Santa Catarina do que nas novas regiões.
Áreas livresO Rio Grande do Sul tem como desvantagem a maior distância dos grandes mercados consumidores nacionais. Mas, com a abertura do mercado internacional, tem amplas possibilidades de expansão para atender, em especial, os países do Mercosul.
Na suinocultura, Santa Catarina, de acordo com o pesquisador, pode ter nos dejetos o grande empecilho para a expansão da produção. Mas apresenta vantagens, como alta concentração especialmente de indústrias, disponibilidade e boa qualidade da mão-de-obra familiar, e ser área livre (aftosa), o que facilita o acesso ao mercado internacional.
Posição estratégicaO Paraná, segundo Talamini, apresenta a maior produção de milho e soja do Brasil e possui tradição agroindustrial e a infra-estrutura básica necessária. Também está bem posicionado com relação aos centros consumidores da região Sudeste (50% do consumo total). A desvantagem do Paraná, no curto prazo, é não ter o status de área livre como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Minas Gerais apresenta condições semelhantes ao Paraná. A grande parte do rebanho suinícola, cerca de 60% do total, é de subsistência, mas tem mão-de-obra menos especializada, o que é uma dificuldade adicional para a criação de áreas livres de doença.
O maior centro consumidor do País é São Paulo (1/4 da produção nacional). Mas o Estado não produz suínos suficientemente para seu abastecimento, principalmente em razão do déficit de grãos (3 milhões de toneladas/ano) e dos altos custos de oportunidades do capital e da mão-de-obra. Na avicultura São Paulo é auto-suficiente.
LimitaçõesMato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás estão próximos dos centros de consumo, porém, segundo o pesquisador, apresentam deficiência de infra-estrutura e mão-de-obra. Goiás e Mato Grosso, apesar da disponibilidade e baixos preços dos grãos, possuem limitações em infra-estrutura agroindustrial e menor tradição e qualificação de mão-de-obra. Com exceção de algumas áreas mais distantes do mercado consumidor, do Sudeste, estes Estados poderiam abastecer o Norte e o Nordeste.
No Nordeste a pequena produção e o alto preço do milho reduzem a possibilidade da região apresentar grande expansão da produção de suínos e aves no curto e médio prazo.
Novas fronteirasAs novas regiões de produção, de acordo com o pesquisador da Embrapa, representam um investimento estratégico para o País e um melhor posicionamento no mercado internacional, mas não significa que se vai se deixar de produzir nas regiões mais tradicionais. O maior crescimento das duas atividades ainda continua ocorrendo nas regiões tradicionais.
De acordo com o pesquisador é importante que o País registre crescimento nas duas atividades. É nítida a competitividade do Brasil no cenário internacional, sendo necessário dar atenção a questões de sanidade e de meio ambiente. É necessário solucionar problemas de abastecimento do milho, insumo básico na produção de aves e suínos.
ExportaçõesNos dois produtos, suínos e aves, o Brasil é competitivo no custo de produção frente a outros países produtores e com potencial de crescimento. A conjuntura indica, segundo Talamini, que do mercado internacional deverá vir o principal estímulo à expansão da suinocultura brasileira. O Brasil atraiu o interesse de países importadores como Rússia, Itália e África do Sul, por exemplo, que sinalizam por compras consideráveis.
A concretização de negócios com o Exterior em geral não é rápida, mas caso ocorra, exercerá enorme pressão no setor produtivo, avalia Talamini. A condição para atender esse mercado, além da qualidade do produto brasileiro, que é boa, é a de tratar com seriedade as questões ambientalistas e de controle de doenças e sanidade dos rebanhos, que são passíveis de se tornarem barreiras à participação no mercado internacional.
Na avicultura a produção brasileira tem ficado em 86% para o mercado interno e 14% para o mercado externo. Em 99 houve excesso de oferta de frangos no mercado internacional. Neste ano o primeiro semestre já apresentou crescimento, mas o preço unitário baixou. A expectativa é de que o setor possa conquistar novos mercados e conseguir melhores preços.


