O mercado de florestas mudou. E apesar do IFPR (Instituto de Florestas do Paraná) achar que a rentabilidade não é grande para aqueles que trabalham com papel, celulose ou energia, uma empresa de Londrina mostra que é possível ter boa rentabilidade para o produtor que aposta em maciços de eucalipto, com mercado garantido e boa liquidez nos negócios.

"Não é preciso esperar 18 anos por uma floresta (rentável). Em menor tempo, temos um alto giro, boa receita e um fluxo de caixa para o produtor", incentiva o empresário e produtor Ricardo Bittencourt
"Não é preciso esperar 18 anos por uma floresta (rentável). Em menor tempo, temos um alto giro, boa receita e um fluxo de caixa para o produtor", incentiva o empresário e produtor Ricardo Bittencourt | Foto: Marcos Zanutto



A Dasos Florestal atua na implantação dessas florestas, englobando análise de viabilidade, projeto, programação e plantio. A empresa atua também em etapas específicas ou em todo o processo, possibilitando conduzir melhorias e gerar o controle na tomada de decisões. Além de florestas próprias, a empresa conta atualmente com 25 produtores parceiros, totalizando dois mil alqueires. "Hoje há um deficit dessas florestas no Norte do Paraná que é superior a oito mil alqueires. A empresa certamente absorveria em seis anos de três a quatro mil alqueires, o que representa 50% da demanda regional", explica o dono da empresa, Ricardo Bittencourt Silveira.

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Silveira - que fez mestrado na área de florestas há cerca de dez anos - explica que a empresa fomenta maciços de ciclo curto, corte raso, e reimplantação. A Dasos processa o eucalipto (cavaco) e comercializa a biomassa para 14 indústrias do Estado, que basicamente são processadoras de proteína animal e vegetal. "Seja no frango, boi, farinha de milho ou suco de laranja, o combustível delas para o processamento é o cavaco de eucalipto. Não é preciso esperar 18 anos por uma floresta (rentável). Em menor tempo, temos um alto giro, boa receita e um fluxo de caixa para o produtor."

O empresário, que também é produtor de maciços florestais, admite que a madeira não tem mais os valores de outros tempos. Entretanto, ele bate na tecla de que a atividade continua dando mais que soja e gado. "Nos últimos oito anos os novos materiais genéticos aumentaram em 70% a produtividade, (com ciclos) mais precoces. Não precisa esperar uma madeira com 10 a 12 anos para serraria e laminação, hoje com cinco anos já temos esse produto. A rentabilidade por alqueire ainda é atraente, mas o preço individual por tonelada está achatado."

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Outro ponto interessante que favorece o eucalipto é que ele pode ocupar terras marginais, com alta declividade, e até áreas restritas, como no Arenito Caiuá. "Com nossa operação mecanizada, podemos operar em 35 graus de declividade, enquanto para lavouras comuns vai até 15 graus. Pela tendência do mercado em utilizar materiais processados, como MDF e MDP, 45% está concentrado no papel e celulose e os outros 45% energia, sobrando apenas 10% para serraria e laminação."

Por fim, Silveira confirma que o setor vive um arrefecimento na implantação de novas florestas depois de 2012. "Vamos ter uma escassez regional que remuneraria legal os produtores. Cada vez estamos buscando florestas mais distantes e tendo que arcar com os custos logísticos. Queremos montar um projeto de fomento com diversas entidades do agro para o pessoal trabalhar com maciços florestais aqui na região." (V.L.)

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