Discutir reforma agrária é, antes de tudo, confrontar ideologias opostas. É difícil chegar a uma posição concreta quando fatores políticos e administrativos imperram a definição de índices de produtividade aceitáveis pela classe produtora. Esta foi a conclusão de um grupo de agropecuaristas durante um debate promovido pela Folha de Londrina, em parceria com a Sociedade Rural do Paraná (SRP) e Sindicato Rural de Londrina, na última segunda-feira, no auditório Milton Alcover, no Parque Ney Braga, em Londrina.
Na reunião foram apresentados os novos índices de produtividade agrícola e pecuário que servirão de parâmetro para a desapropriação de terras no Paraná. Os produtores rurais mostraram-se consternados com a impossibilidade de colocar tais números em prática no campo.
O aumento dos índices agrícolas foi significativo se comparados os números atuais e os propostos pelo governo. Sojicultores que hoje precisam produzir 1,9 mil quilos/hectare (kg/ha) para não ter suas terras desapropriadas, terão de colher 2,5 mil kg/ha. No caso do milho, o valor aumentou de 1,9 mil kg/ha para 3,2 mil kg/ha. Para o trigo, o número atual é de 1 mil kg/ha e deverá subir para 1,7 mil kg/ha.
Os atuais índices agrícolas foram definidos pelo governo federal há 26 anos, com base estatística de 1975. Já os números pecuários são de 1993, relembrou o consultor José Guilherme Cavagnari, da Comissão Permanente de Política Fundiária da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Para ele, ''não faz sentido trabalhar com números tão antigos, de uma época em que se plantava milho com enxada'', disse. Mesmo assim, os índices propostos também não condizem com a atual situação de crise vivida pelo agronegócio nacional, ressaltaram os produtores durante o evento.
Cavagnari explicou que, no ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) apresentou novos índices, levantados pela Universidade de Campinas (SP). Os números apresentados variavam de 2,9 mil kg/ha para a soja, 4,2 mil kg/ha para o milho e 1,9 mil kg/ha para o trigo.
Sem base estatística comprovada, os índices do MDA foram revistos pelo Ministério da Agricultura (Mapa). Para isso, foram reunidos técnicos dos dois ministérios, que refizeram a tabela com base em médias produtivas municipais, obtidas em uma pesquisa agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada entre 2000 e 2004.

mockup