A melhor alternativa para os pequenos produtores paranaenses se manterem na atividade agrícola é a produção de grãos. A idéia é defendida pelos técnicos da Emater, Fernando Adegas e Lauro Morales, que idealizaram e estão coordenando o Projeto Grãos, um trabalho que pretende criar modelos capazes de sustentar a pequena propriedade.
Além da produção de grãos, os técnicos enfatizam que é necessário investir na diversificação. ‘‘O produtor que não diversificar, corre o sério risco de ter que abandonar a atividade agrícola. No modelo de propriedade que propomos, os grãos serão os financiadores da diversificação’’, afirma Adegas. A idéia é uma propriedade diversificada, que tenha nos grãos a estabilidade econômica. A possibilidade de maiores ganhos fica por conta de atividades que rendem mais, porém oferecem maiores riscos, como a piscicultura e a fruticultura.
Novo sistemaSegundo Adegas, apesar de serem culturas de baixa lucratividade, os grãos oferecem poucos riscos. ‘‘São produtos que têm preços mais estáveis, mercado fixo e nichos que possibilitam ao pequeno produtor agregar valores’’, explica. Entretanto, para tornar a produção de grãos um negócio lucrativo, é necessário mudar o sistema de cultivo. Atualmente o pequeno produtor trabalha dentro de moldes próprios para a produção em larga escala. Isso resulta em baixa produtividade e altos custos.
No Paraná, o custo médio de produção de soja, por exemplo, é de aproximadamente R$300 por hectare. Segundo Adegas, esse custo é padronizado. Ou seja, é o mesmo para as pequenas, médias e grandes propriedades. ‘‘Assim, o impacto maior é para o pequeno e médio produtor. Mas, mudando o sistema de produção, o custo pode baixar e pode haver ganhos em produtividade’’, garante Adegas. E existem tecnologias que permitem isso. Ele lembra que tecnologia não significa maquinaria ou altos investimentos. ‘‘Muitas vezes, a tecnologia é simples e não representa maiores gastos. Um bom exemplo é a mudança de cultivar’’.
Produtos diferenciadosTodas essas idéias estão contidas no Projeto Grãos, que já está no seu primeiro ano de implementação. São ao todo 500 propriedades, que somam cerca de 12 mil hectares. O projeto abrange mais de 20 municípios do Norte e Oeste paranaenses. Adegas explica que os trabalhos atenderão as particularidades de cada região. No Norte, por exemplo, as técnicas adotadas darão prioridade ao manejo de solo. ‘‘São solos com sérios problemas, como erosão’’. No Oeste, o trabalho vai buscar a redução do uso de agrotóxicos.
Em todos os locais de abrangência do projeto, será incentivado o cultivo de grãos diferenciados. ‘‘Queremos agregar valores ao produto agrícola’’, afirma Adegas. Por isso, o incentivo será aos chamados ‘‘grãos limpos’’, como a soja sem veneno ou direcionada para a alimentação humana - produtos que têm nichos de mercado, como a produção de alimentos próprios para os japoneses. ‘‘O Japão tem-se interessado pela soja sem veneno produzida no Brasil. Esses grãos têm, inclusive, maior valor no mercado.’’
Meio ambienteOutra ênfase do Projeto Grãos é a preservação do meio ambiente. Além de incentivar o uso de produtos biológicos e fisiológicos no combate a pragas e plantas daninhas, os técnicos pretendem utilizar tecnologias que garantam a sustentabilidade agrícola das propriedades. ‘‘A preservação do solo será prioridade’’, diz.
Em cada microrregião o projeto será desenvolvido com grupos de aproximadamente 20 produtores. Segundo Adegas, o incentivo à convivência e ao trabalho integrado permitirá melhores resultados. ‘‘Práticas conservacionistas e produtos biológicos surtem mais efeito se forem adotadas por diversas propriedades vizinhas’’. A exemplo do trabalho realizado na Bacia do Rio do Campo, essas práticas podem trazer benefícios para toda a comunidade, como a recuperação de rios e os menores riscos de intoxicação do homem.
Na escolha da diversificação, Adegas sugere a integração das atividades. Por exemplo, a palhada da cafeicultura pode ser utilizada na adubação da soja. A mesma integração pode ser feita com a suinocultura. Além disso, ele enfatiza a importância de potencializar a utilização de máquinas e mão-de-obra.

mockup