Reforço de caixa do sitiante
Marcos Zanatta
De Maringá
A Emater de Maringá promoveu no início desta semana um dia-de-campo sobre o cultivo de citrus em solo basalto, ou terra roxa, mostrando as condições favoráveis da cultura para o pequeno produtor. O fruticultor e técnico da Emater na região, Antônio Rodante, defende o citrus como forma de viabilizar a pequena propriedade. A área do agricultor Mauro Noda, em Maringá, comprova a rentabilidade do pomar depois do início de produção. O plantio de citrus no Sítio Progresso, de 48,4 hectares, começou há seis anos.
São 17,6 hectares de laranjas das variedades pêra, valência e folha murcha, e mais um hectare de tangerina. Se tivesse recursos, queria plantar mais, confessa Noda. Ela acha que plantar citrus na terra roxa tem algumas vantagens. Entre elas está o crescimento mais rápido da planta, o que favorece o início de produção. Algumas ruas do pomar de laranja já estão sendo fechados pelos galhos das árvores. O citrus é bom também, porque pode ser tocado com a família, conta. Só na colheita Noda é obrigado a contratar pessoal.
Mas a grande vantagem, mostra Rodante, está no retorno da lavoura. Ele mostra que no caso da lavoura de Noda, a margem de lucro é incomparável com outras culturas. O custo de produção por hectare, em toda a área de citrus, ficou em US$1.356,44, contra um valor bruto da produção de US$2.453,00 para a laranja e de US$5.372,00 para a tangerina. Levando em conta uma produção de 1.115 caixas de laranja por hectare, comercializadas a US$2,20 a caixa e de 1.083 caixas de tangerina, a US$4,96 cada. Só para comparar, o milho que Noda plantou rendeu bruto cerca de US$450,00 por hectare, compara Rodante.
Outros dados fornecidos por Noda e Rodante mostram as condições da lavoura. Com seis anos de plantio a laranja pêra produziu uma média de quatro caixas de 40,8 quilos por planta. São 1.131 pés da variedade. A valência, com 1,6 mil pés e a folha murcha com 3,4 mil, alcançaram três caixas por planta. Mas a tangerina, que vai toda para o comércio in natura, foi responsável por um lucro até surpreendente, diz o produtor. Enquanto a laranja registrou um lucro por caixa de US$0,98 a tangerina deu uma sobra de US$1,25 cada caixa. São 450 pés de tangerina.
Segundo Rodante, o cultivo de citrus no solo basalto tem se mostrado uma boa alternativa. Ele explica que não existem grandes diferenças na implantação e manutenção da cultura, em relação às áreas tradicionais de arenito. O manejo é o mesmo, diz. Toda produção é comprada pela Paraná Citrus, de Paranavaí, que neste ano deve moer quase 172 mil toneladas, contra 76 mil da safra passada. Mas existe mercado para um crescimento ordenado, diz o técnico. Ele conta que a seca ainda não chegou a atingir as lavouras do Paraná, como está acontecendo em São Paulo, e que deve mexer com a cotação. Por enquanto, a indústria está pagando em torno de US$2,20.
Para Noda, o que impediu um lucro ainda maior foram os aumentos dos insumos. A citricultura está passando pelas mesmas dificuldades das demais lavouras, com a vantagem da fruta também ser cotada em dólar, comemora. Ele explica que para o manejo, consegue trabalhar com mão-de-obra familiar. O básico, ensina, é manter o pomar no limpo. As linhas das plantas recebem herbicidas e as ruas entre as árvores são roçadas. As ruas têm que ficar com cobertura verde para garantir umidade e facilitar o manejo, diz Rodante.
A colheita de citrus na propriedade de Noda começa entre maio e junho, com a tangerina, que tem mercado garantido na região. Como ele tem três variedades de laranja, a produção é escalonada. Começa a colher em julho e vai até novembro, conta o produtor. Ele lembra que trocou o milho e a soja pela laranja, fez um grande investimento que, apesar de conhecer na região de arenito, não sabia como a cultura iria se comportar na terra roxa. Agora estou satisfeito; queria até ampliar a área, diz. O custo de implantação de laranja ou da tangerina fica na média de US$1,4 mil por hectare, e o agricultor tem que levar em conta que são dois anos sem produção.
Mas para entrar na cultura, lembra Rodante, é preciso seguir algumas exigências. Primeiro, o produtor tem que buscar informações junto à Emater ou órgãos oficiais de assistência técnica. A propriedade vai receber visita de técnicos e se fôr preciso terá as variedades de citrus erradicadas. Só depois da certeza de área livre a propriedade será liberada para o plantio, explica. Rodante lembra que o plantio de citrus não depende mais de liberação por município, como ocorria há alguns anos. Agora cada produtor tem que estar com a área liberada.





