Reforçando a vida na Bacia do Alto Iguaçu
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sábado, 17 de novembro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Particularidades da Bacia do Alto Iguaçu, eleva o risco de muitas espécies endêmicas entrarem em extinção, segundo estudos do Museu de História Natural de Capão da Imbuia, em Curitiba. A bacia, cujos limites são as nascentes, na Serra do Mar, e o início de suas corredeiras, no município de Porto Amazonas, tem limitado potencial de dispersão espacial, favorecendo a ocorrência de espécies de pequeno porte e pouca variação genética. Some a isso, que os trechos em áreas urbanas da Região Metropolitana de Curitiba, em regra geral, não oferecem condições de sobrevivência para a vida aquática.
''Os parâmetros que temos são experimentos da qualidade da água para saber se estava em condições de receber peixes. Coletamos 13 amostras em pontos aleatórios da bacia, das quais apenas cinco apresentaram condições de vida. Isso nos leva a acreditar que a bacia está debilitada. Sua riqueza hídrica atraiu o povoamento para suas proximidades e trouxe junto a poluição e a degradação'', contextualiza o zootecnista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Peter Garbez Kirschnik.
Ele coordena o projeto de ''Repovoamento de peixes como indutor de processos de recuperação ambiental da Bacia do Alto Rio Iguaçu'', desenvolvido desde 2005, com recursos do governo do estado orçado em R$ 640 mil. Apesar do nome do projeto, seu principal objetivo não é o repovoamento, mas aprofundar os conhecimentos sobre a ictiofauna ou população de peixes de ocorrência natural da região do Alto Iguaçu, gerar informações científicas que sirvam para elaborar estratégias futuras de recuperação e conservação do meio ambiente pelo uso da biotecnologia e contribuir para o desenvolvimento da piscicultura de espécies nativas do Paraná.
Parte fundamental do projeto, que seria uma espécie de repovoamento-piloto, é realizada no Setor de Piscicultura da PUC-PR, em São José dos Pinhais, na RMC. Lá é feita a reprodução em cativeiro do jundiá (Rhamdia sp) ou bagre, espécie nativa da bacia. O processo, bastante delicado, inicia com a captura das matrizes ou indivíduos fêmeas e machos adultos, cerca de 50 para garantir a diversificação dos peixes juvenis, no período natural de acasalamento (de outubro até dezembro). Depois é feita a reprodução artificial até a soltura dos peixes, dentro de três meses.
''É muito difícil reproduzir espécies nativas em cativeiro, o peixe fica muito estressado, muitas vezes não sobrevive nos tanques, é acometido por fungos, sem falar nas técnicas de captura. A que nos deu melhores resultados foi a pesca com anzol, que não é o ideal'', conta Kirschnik. ''Para reproduzir em cativeiro é preciso substituir estímulos naturais que o animal teria para o acasalamento, como a água corrente, por isso injetamos hormônios naturais para maturação das gônadas, que são os testículos e ovários'', acrescenta ele, que realiza todo o processo também como aula expositiva para os estudantes da PUC-PR.
Espécies - Dentre todas as espécies encontradas na Bacia do Alto Iguaçu, cerca de 80 - no Paraná, estima-se que existam 400 espécies de água doce -, o jundiá e o lambari foram selecionados por serem nativas e bastante apreciadas pela população. Ao contrário do jundiá, o lambari se encontra em abundância na natureza e é mais resistente, não sendo necessário desenvolver manejos para seu repovoamento. Sobre o jundiá, não se sabe se sua população está em declínio, apenas que não é abundante e que é mais afetado pela poluição, por isso foi escolhido para desenvolver técnicas de manejo e repovoamento.


