ArquivoAmbienteSe a floresta a ser explorada é de mata virgem o preço do metro cúblico é o dobroO Instituto Ambiental do Paraná (IAP) começa no mês que vem a fiscalização junto as empresas e pessoas físicas que comercializam madeira no Paraná, e que são obrigadas por lei a se cadastrarem, de acordo com as normas do Sistema Estadual de Reposição Florestal Obrigatória (Serflor), que entrou em vigor no início deste ano.
Milton Luiz da Silva, do Departamento de Licenciamento Florestal do IAP/Londrina, informa que o Serflor obriga o ‘‘consumidor’’ a fazer o reflorestamento e a se cadastrar no Iap para, só então, obter o certificado de registro, que funciona como uma espécie de licença para comercializar a madeira. Num primeiro momento, as empresas vão ser apenas advertidas e, posteriormente, multadas, além de terem as madeiras apreendidas.
Aproximadamente 180 metros cúbicos de madeiras são cortados diariamente no Paraná
Até agora, apenas 20% das empresas se cadastraram no escritório Regional do IAP em Londrina. O IAP/Londrina é responsável pela fiscalização ambiental em 26 municipios. Todos os dias, segundo o Instituto Ambiental do Paraná, 180 metros cúbicos de madeira são ‘‘queimados’’ no Estado, e menos da metade, ou seja, apenas 80 metros cúbicos são repostos no mesmo período.
Reposição custa menosO Serflor estipula que de cada cinco metros cúbicos de madeira ‘‘queimada’’, por exemplo, o ‘‘consumidor’’ precisa repor 20 árvores; se utilizar 10 metros cúbicos, vai ter de repor 40 árvores, e assim por diante. ‘‘Queimar’’ é o termo que os técnicos do IAP usam para se referir a toda árvore que é cortada.
‘‘Compensa, inclusive financeiramente, às empresas consumidoras fazer a reposição’’, explica o técnico Milton Luiz da Silva, ‘‘pois se uma empresa cortar 200 metros cúbicos por mês, por exemplo, vai ter de pagar R$ 800,00 ao IAP, quando seria mais vantajoso plantar 800 árvores’’.
O reflorestamento custa menos e traz mais vantagens para o meio ambiente
A produção de mudas é subsidiada pelo Governo do Estado. O milheiro de eucaliptos está custando atualmente R$ 50,00. Se fosse pagar a cota-árvore, como prevê o Seflor, o consumidor desembolsaria R$ 4,00 por metro cúbico de árvore exótica ou nativa plantada que for derrubada. Se a floresta for de mata virgem, o preço do metro cúbico dobra, vai para R$ 8,00. ‘‘Por essa tabela, a atividade acaba tornando-se inviável, se o consumidor não optar pela
reposição’’, acredita o técnico Milton Luiz da Silva.
Em média, uma árvore tem de um a três metros cúbicos. Nesse caso, se o consumidor fosse pagar por cota-árvore, desembolsaria um mínimo de R$ 4,00 e o máximo de R$ 12,00 por árvore derrubada. ‘‘É melhor o consumidor providenciar o reflorestamento que, aliás, também é fiscalizado por nós’’, salienta o técnico Milton Luiz da Silva. Serrarias e cooperativas de grãos, segundo ele, são os maiores consumidores de madeira no Paraná.
Florestas municipaisO Paraná possui 1.712.814 hectares de florestas e 620.489 de hectares de reflorestamentos. Paralelamente ao Serflor, o IAP também desenvolve um outro projeto de reflorestamento, que é o feito em parceria com as Prefeituras.
O engenheiro florestal do IAP, Mário Mendes, conta que o projeto prevê a reconstituição de 20% das áreas de reservas das propriedades rurais e também reflorestar as matas ciliares. Pelo convênio, as Prefeituras produzem as mudas e o IAP entra com as embalagens, insumos, veículos e a orientação técnica. As mudas vão ser distruibuidas gratuitamente.
O viveiro do município de Arapongas tem capacidade de produzir mais de 1,5 milhão de mudas por ano, segundo o agronômo Carlos Alberto de Oliveira, funcionário da Prefeitura local. No viveiro de Arapongas estão sendo produzidas mudas de sibipiruna, quaresmeira, bauhínia, cedrinho, ipê (roxo, branco e amarelo), sobrasil, aroeira, gurucaia, acácia, grevilha, eucaliptos.
Pelo levantamento do IAP, o consumo de madeira no Paraná para a produção de papel e celulose, processamento mecânico e consumo energético, ultrapassa a 70 mil hectares por ano.
A meta do IAP é implantar junto com as Prefeituras, no primeiro ano, mais de 200 viveiros, reflorestar cinco mil hectares por ano (ou plantar 10 mil árvores), além de implantar a arborização urbana e rodoviária com 500 mil árvore/ano. O município de Arapongas, por exemplo, quer produzir, anualmente, 42.700 mudas de eucaliptos e 116 mil de árvores nativas.

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