Os agrônomos do Paraná comemoram o seu dia (12 de outubro) com a posse da nova diretoria da recém-criada Federação das Associações dos Engenheiros-Agrônomos do Paraná. A posse estava prevista para ontem, em Cascavel, tendo na presidência Márcio Manoel Chaves. Para anunciar a nova entidade, estiveram na redaaaação da Folha, esta semana, os agrônomos Sérgio Dotto, Dionísio Gazziero e Décio Gazzoni, pesquisadores da Embrapa Soja; Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café e Gervásio Vieira, da Emater.
Segundo o pesquisador Sérgio Dotto, que também é presidente da Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Londrina (AEA-Lda), o objetivo da criação da federação é fortalecer a representação classista, em busca de promover uma maior conscientização e educação entre os profissionais, atingindo também os agricultores. No Paraná existem atualmente 18 associções estaduais, e 10.500 engenheiros agrônomos. Dotto diz que existe um mercado grande e aberto para a atuação do profissional como autônomo, inclusive em novas áreas como a agroindústria. ‘‘O profissional precisa de capacitação e atualização, para exercer com mais competitividade seu papel’’, afirma.
GlobalizaçãoPara o pesquisador Décio Gazzoni, membro da nova diretoria da federação, a situação da agricultura vem se agravando nos últimos 20 anos. ‘‘Nos anos 90 as regras comerciais impostas pela Organização Mundial do Comércio estão obrigando os produtores a enfrentarem uma concorrência pesada e muitas vezes desigual’’, comenta Décio.
Mercados fechados e protegidos geram perda de eficiência, mas na análise do pesquisador, o sistema comercial montado pelos países do ‘‘primeiro mundo’’ é muito sofisticado na sua elaboração e tem o propósito, não explicíto, de beneficiar os grandes. ‘‘Por exemplo, algumas sanções comerciais obrigam nossos produtores a ‘‘dar três toneladas de soja para cada tonelada de suco de laranja colocada no mercado americano’’, cita Décio.
‘‘Os agrônomos precisam se posicionair mais nas questões de política agrícola e sobre a crise da atividade, apontando novas diretrizes para o Governo e agricultores’’, comenta o vice-presidente da AEA-Lda, Francisco Barbosa, do Departamento Nacional do Café.
VocaçãoReunindo todas as condições naturais, clima e solo, para ser o maior produtor de alimentos do mundo, o Brasil precisa, na opinião dos agrônomos, dedicar-se mais a sua vocação. ‘‘Não adianta querermos competir no mercado mundial, que é superexigente, com produtos eletrônicos, aviões ou carros. Não temos tradição e nem vocação para isto. Temos que buscar, sim, o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais aprimoradas para a produção e processamento de alimentos’’, comenta Décio Gazzoni.
Os agrônomos comentaram também a importância da sustentabilidade da agricultura, com destaque para questão do uso da água. Apesar dos recursos hídricos serem abundantes no Brasil, a água é um recurso finito que vem sendo neglicenciado, alertam.
Na opinião dos agrônomos, estes e outros assuntos precisam ser debatidos mais profundamente entre os profissionais, que podem contribuir para o aumento da produção e a geração de empregos no campo e na cidade.

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