Referencial da região Noroeste
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de maio de 1999
Marta Medeiros 
A 27ª Exposição-Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Maringá (Expoingá) que terminou no último final de semana, retoma o evento como referencial para criadores e produtores rurais da região Noroeste do Paraná. Depois de muito tempo estagnada em números e também na mostra de animais, produtos e serviços, a Expoingá reaparece no circuito de feiras agropecuárias. O trabalho iniciado no ano passado, mostrou resultados agora e serviu para consolidar a Expoingá, comemora o organizador geral da feira, Elói Michels.
O fluxo de pessoas que passou pelas catracas do Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro, segundo Michels, chegou ao previsto de meio milhão de pessoas durante os 11 dias da feira. Mesmo assim, as bilheterias registraram 184.436 pagantes. A diferença entre o fluxo de catraca e o número de pagantes se deve à iniciativa da organização, que liberou a entrada do público durante três dias, além da entrada franca para crianças abaixo de sete anos, idosos acima de 65, convidados, imprensa, expositores e associados da Sociedade Rural de Maringá (SRM), explica Michels.
O volume de negócios também superou as expectativas iniciais de R$15 milhões e atingiu mais de R$22 milhões. Nos primeiros dias de Expoingá, já calculávamos cerca de R$20 milhões, lembra o organizador.
Os números representam um crescimento de 46% da feira em relação ao ano passado. A 27ª edição bateu diversos recordes. Em um único dia o parque recebeu mais de 80 mil pessoas, conta Michels, lembrando do público na quinta-feira, 14, dia do show da dupla Rionegro e Solimões. As exposições anteriores a 1998 tiveram um público médio de 250 mil pessoas durante os 11 dias de feira. No ano passado, entraram no parque cerca de 411.000 pessoas.
AgropecuáriaPara o vice-presidente da Sociedade Rural de Maringá (SRM), Neri Fabre, a pecuária do Paraná saiu fortalecida da Expoingá 99. Durante os leilões, recebemos compradores de diversas regiões do Estado. Além disso, registramos a presença de expositores de grandes criatórios de outros Estados brasileiros, justifica.
Fabre acredita que o retorno de uma pecuária forte na região Noroeste deve-se ao trabalho realizado pela Sociedade Rural de Maringá (SRM) com o objetivo de tentar recuperar os investimentos no setor e melhorar a qualidade do plantel regional. Há muitos anos não se via tanto nelore nos pavilhões do Parque de Exposição, comemora.
A falta de expressão do nelore na região Noroeste preocupava a diretoria da SRM. Na década de 80, a raça representava o grande impulso econômico do Noroeste e Maringá era considerado o maior centro de abate animal do País.
Além do retorno do nelore, a 27ª Expoingá comprovou a importância da raça simental. Durante a Expoingá foi lançada a 8ª Exposição Nacional das Raças Simental e Simbrasil. O evento será em outubro, durante a Maringá ExpoShow, feira que entrará no lugar da Maringado. A ExpoShow também irá abrigar a 21ª Exposição Nacional do Mangalarga.
Com esta 27ª edição reescrevemos a história da Expoingá, imprimindo um selo de qualidade para as futuras edições, ressalta o diretor de Pecuária da SRM, Jucival Pereira de Sá.
Na Expoingá 99 também foi realizada, pela primeira vez, uma etapa do circuito nacional do Torneio Leiteiro, além da implantação do Modelo Rural, área demonstrativa da Emater, com 22 unidades de atividades agropecuárias para pequenas e médias propriedades. Somente o Modelo Rural recebeu a visita de mais de 30 mil pessoas, a grande maioria alunos das escolas da rede pública e produtores rurais de Maringá e região.
LeilõesA agenda de negócios da Expoingá 99 gerou cerca de R$1,2 milhão - crescimento superior a 100% em relação ao ano passado, quando a venda de animais não ultrapassou a cifra de R$600 mil. A expectativa inicial era de R$2 milhões, mas o cancelamento de três leilões (holandês, pardo-suíço e charolês) prejudicou os negócios.
Segundo Otávio Dias Chaves Jr., da Comissão de Leilão da Expoingá, com a realização do Torneio Leiteiro, por grandes criadores de gado holandês, de Minas Gerais e São Paulo, que estiveram presentes na feira, preferiram o aspecto técnico da produção ao comércio. Para o ano que vem, os criadores de pardo e charolês assumiram compromisso de participar da agenda de leilões, mas infelizmente para este ano eles disseram que os animais à venda estavam em outras praças, explica.
Apesar do cancelamento de leilões, Chaves Jr. comemora recordes na venda de animais durante a Expoingá. Maringá resgatou a imagem de centro de comercialização de gado de corte e de elite. Recebemos, por exemplo, a participação, pela primeira vez nos leilões, da raça limousin, destaca. Os leilões de gado de corte foram realizados no primeiro e segundo domingo da Expoingá e totalizaram a venda de 2.561 animais e um faturamento pouco superior a R$715 mil.


